Naufrágios no Mediterrâneo: Morrem mais de duas crianças por dia. Intensificam-se as travessias irregulares.
KOS, Grécia, 24 de fevereiro de 2016 (ACNUR/OIM/CPR) - Diariamente, em média, morrem duas crianças quando as suas famílias tentam a travessia do Mar Egeu, em busca de segurança, declarou ontem o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), referindo estatísticas desde setembro de 2015 até à presente data.
Num comunicado conjunto, o ACNUR, a UNICEF e a OIM advertiram que o número de mortes de crianças está a subir e apelam para mais medidas que aumentem a segurança das pessoas que fogem da guerra e de situações de violência generalizada.
De acordo com as organizações referidas, muitos corpos sem vida perdem-se no mar, pelo que o número de mortos deverá ser ainda maior.
As distâncias são curtas entre a costa turca e as ilhas gregas, mas o braço de mar é ainda mais perigoso devido ao inverno e às embarcações sobrelotadas e com equipamentos de segurança de má qualidade.
"Estas mortes trágicas no Mediterrâneo são intoleráveis e devem cessar", declarou o Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, Filippo Grandi, acrescentando "Torna-se imperativo que haja esforços suplementares para combater o tráfico e o contrabando e, no topo das prioridades, deve estar a organização de vias de acesso seguro e legal, através dos programas de reinstalação e de reagrupamento familiar."
As crianças representam 34% das travessias. A probabilidade de morrem na travessia aumentou, assim, proporcionalmente.
Num centro de trânsito gerido pelo ACNUR, com a colaboração de uma ONG grega especializada na receção e acolhimento de menores não acompanhados (MNA), encontrámos Aïcha et Aziz, irmã e irmão afegãos, ela de 15 e ele de 16 anos. As aulas de natação que frequentaram na escola tinham-lhes salvo a a vida. Os seus pais e uma outra irmã mais nova morreram quando faziam a travessia num bote em que os contrabandistas tinham encaixado 80 pessoas. Marco Procaccini, diretor da delegação do ACNUR em Kos, declarou "Estou impressionado com a resiliência e coragem dos dois jovens, que que quiseram colaborar na identificação dos cadáveres da sua família e de outros náufragos que conheciam"
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Este ano, até à última segunda-feira, dia 22, 110.257 pessoas arriscaram a vida na travessia do Mediterrâneo. Este número, que é já três vezes superior ao do 1º. semestre de 2015, irá aumentar com a chegada da Primavera. As travessias foram sobretudo para a Grécia (101.906) e Itália (7.893). A Síria, o Afeganistão e o Iraque, respetivamente com 41%, 17% e 16%, são os principais países de origem. 34% são crianças, 20% são mulheres e 47% são homens. Registaram-se 406 óbitos. (mais estatísticas aqui).
Na passada segunda-feira, o Secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, e o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergey Lavrov, enquanto co-presidentes do Grupo Internacional de Apoio à Síria (GIAS), anunciaram tréguas parciais envolvendo o regime de Assad e maioria da oposição síria armada, embora haja sérias dúvidas sobre a sua eficácia.
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O influxo de refugiados tem tido uma resposta caótica por parte dos países europeus. Na última sexta-feira, a Áustria impôs um limite diário de 80 requerentes de asilo e de 3.200 pessoas que queiram atravessar o seu território em trânsito para outros países europeus. Esta decisão das autoridades austríacas levou a Macedónia a colocar mais restrições na sua fronteira com a Grécia, principalmente aos afegãos.

 

 

 

DIVERSOS PROJECTOS DO CPR SÃO FINANCIADOS PELO FUNDO ASILO, MIGRAÇÃO E INTEGRAÇÃO (FAMI)

 

De acordo com as últimas estatísticas, o número de migrantes forçados em todo o mundo ultrapassa os 65 milhões e não pára de aumentar. O número de pessoas que buscam protecão no nosso país é de cerca de 870 por ano ou 87 pessoas por cada milhão de habitantes, um número bastante inferior à média europeia (2600 pedidos por milhão de habitantes na UE-28, em 2015). Há mais de um quarto de século que o CPR, sempre em colaboração com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), procura minimizar as consequências das deslocações forçadas, em particular das pessoas acolhidas em Portugal.