Enviada Especial do ACNUR apela à coragem política para lidar com a crise de refugiados

Vale de Beca, Líbano, 15 de março de 2016 (ACNUR) - Angelina Jolie Pitt, Embaixadora da Boa Vontade e Enviada Especial do Alto Comissariado das Nações Unidas (ACNUR) numa visita ao campo de Vale de Beca, esta terça-feira, 15/3, exortou os governos e a comunidade internacional a fazerem prova da sua coragem política ao lidarem com a Síria e a crise global de refugiados.

A guerra civil síria, agora no seu 5º ano, gerou a pior crise humanitária da nossa era, com 4,9 milhões de refugiados nos países vizinhos e 6,5 milhões deslocados internos.

"Hoje, é o 5º aniversário do conflito na Síria, o país onde eu esperava encontrar-me hoje, a ajudar o ACNUR no repatriamento dos refugiados e a rever as famílias que fui conhecendo ao longo dos anos. É trágico e vergonhoso que estejamos longe desse momento", declarou Angelina numa conferência de imprensa.

Ela apelou aos governos para encontrarem soluções diplomáticas para a crise e a procurarem como podem, eles próprios, assegurar a segurança das pessoas que fogem da guerra e da perseguição.

A enviada especial afirmou "Estamos num momento internacional de dificuldade excecional, onde as as consequências da crise de refugiados parecem ultrapassar a nossa vontade, a nossa capacidade e mesmo a nossa coragem de lhe dar resposta" "Nós não podemos gerir o mundo graças à ajuda humanitária em vez de nos empenharmos na diplomacia e em soluções políticas", acrescentou. "Já não é tempo de emoção, mas de fazer com que prevaleça a razão, a calma e a clarividência".

"É necessário fazer mais do que, simplesmente, proteger as próprias fronteiras ou enviar mais ajuda para a frente. Hoje, o meu apelo é para que os governos do mundo mostrem liderança, compreendendo exatamente o que os seus países podem fazer, a quantos refugiados podem dar assistência e como o podem fazer".

 

 

 

DIVERSOS PROJECTOS DO CPR SÃO FINANCIADOS PELO FUNDO ASILO, MIGRAÇÃO E INTEGRAÇÃO (FAMI)

 

De acordo com as últimas estatísticas, o número de migrantes forçados em todo o mundo ultrapassa os 65 milhões e não pára de aumentar. O número de pessoas que buscam protecão no nosso país é de cerca de 870 por ano ou 87 pessoas por cada milhão de habitantes, um número bastante inferior à média europeia (2600 pedidos por milhão de habitantes na UE-28, em 2015). Há mais de um quarto de século que o CPR, sempre em colaboração com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), procura minimizar as consequências das deslocações forçadas, em particular das pessoas acolhidas em Portugal.