Evento desportivo no âmbito das actividades socioculturais do Centro de Acolhimento na Bobadela,
20 de Junho de 2012 ©Foto: José Antônio Oliveira

DEPARTAMENTO SOCIAL

O apoio e aconselhamento social são cruciais para assegurar condições sociais e de acolhimento dignas aos requerentes de asilo e refugiados, por sua vez, facilitadoras da sua integração em Portugal.

O aconselhamento aos requerentes de asilo e refugiados, é prestado pela directora do CAR e por uma assistente social, decorrendo durante as manhãs, mediante inscrição prévia.

No atendimento social, a actuação da assistente social enceta com a aferição das necessidades imediatas dos requerentes de asilo e refugiados e elaboração de planos de acção para a sua satisfação. É igualmente prestada informação sobre as regras de funcionamento do CAR e os serviços disponíveis, direitos e deveres e informações úteis acerca da sociedade de acolhimento.

Trata-se de um aconselhamento integrado e abrange todas as dimensões da vida dos seus beneficiários, tais como a saúde, a subsistência, a habitação, vestuário, actividades socioculturais, situação legal, emprego, educação e formação.

O estado vulnerável em que as pessoas chegam e a falta ou difícil acesso aos cuidados médicos, tanto físicos como psicológicos, reflecte-se nos encaminhamentos realizados diariamente para o Serviço Nacional de Saúde e para o Centro de Apoio à Vítima de Tortura (CAVITOP), bem como na assistência medicamentosa. São, igualmente, regulares os acompanhamentos a serviços nos casos de maior vulnerabilidade e/ou de modo a facilitar a comunicação.

De forma gradual, no decorrer da habituação do utente ao novo ambiente e à definição da sua situação jurídica, é deliniado, conjuntamente, o projecto de vida, alicerçador da sua transição para a sociedade de acolhimento.

A equipa do Departamento Social do CPR aplica o autodiagnóstico e a tabela de negociação, instrumentos criados pela própria organização, para que de uma forma gráfica e personalizada se possa atender à especificidade de cada utente, independentemente da sua língua de comunicação, percurso de vida e grau de escolaridade.

A assistente social é ainda responsável pela gestão dos processos sociais dos utentes, elaboração de relatórios sociais, sinalização para outras entidades, desenvolvimento de estratégias e diligências decorrentes da vivência no CAR, entre as quais a gestão de conflitos, emergências médicas, auxílio na procura de habitação em caso de sobrelotação do CAR ou de transição para o apoio de outra organização, e pelo contacto com parceiros de forma a obter recursos/colaborações para necessidades específicas às quais não se conseguiu dar resposta.

Complementando a intervenção individualizada, no departamento social também se trabalha ao nível grupal. Regularmente, com o apoio dos outros departamentos do CPR, de estagiários e voluntários, realizam-se acções de sensibilização e de informação, workshops, actividades culturais, desportivas entre outras. Visa-se não somente a ocupação dos tempos livres dos residentes do CAR, que se encontram impedidos de trabalhar na fase inicial do seu pedido de asilo, mas sobretudo a promoção do desenvolvimento das relações interpessoais e grupais de proximidade, capacitando-os para a resolução dos problemas do seu quotidiano no CAR de forma colaborante, estimulando, ainda, a sua participação na comunidade e sociedade, através da informação partilhada. Procura-se, também, ouvir, dialogar e envolver os utentes sobre questões que os afectam e preocupam, a vários níveis.

O Departamento Social procura acompanhar a constante transformação da sociedade portuguesa, na sua esfera social e política, procedendo a uma avaliação constante dos objectivos e das estratégias da sua intervenção, de modo a assegurar que a intervenção continue a dar resposta às necessidades detectadas inicialmente e aos desafios que se colocam à integração dos requerentes de asilo e refugiados em Portugal.

Coordenadora Dep. Acção Social:
Isabel Sales
Tel: (+351) 21 994 87 12
Fax: (+351) 21 994 87 19
e-Mail: isabel.sales@cpr.pt

Recepção, aferição de necessidades, vulnerabilidades especiais
Aconselhamento integrado, projecto de vida, integração
Actividades socioculturais, ocupação dos tempos livres
Avaliação permanente dos objectivos e das estratégias da intervenção

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De forma gradual, no decorrer da habituação do utente ao novo ambiente e à definição da sua situação jurídica, é deliniado, conjuntamente, o projecto de vida, alicerçador da sua transição para a sociedade de acolhimento
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De acordo com as últimas estatísticas, o número de migrantes forçados em todo o mundo ultrapassa os 65 milhões e não pára de aumentar. O número de pessoas que buscam protecão no nosso país é de cerca de 870 por ano ou 87 pessoas por cada milhão de habitantes, um número bastante inferior à média europeia (2600 pedidos por milhão de habitantes na UE-28, em 2015). Há um quarto de século que o CPR, sempre em colaboração com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), procura minimizar as consequências das deslocações forçadas, em particular das pessoas acolhidas em Portugal.