20 de junho, Dia Mundial do Refugiado
Lisboa, 20 de junho de 2016 (CPR) - As comemorações do Dia Mundial do Refugiado tiveram início às 11h30 no Centro de Acolhimento para Refugiados (CAR), na Bobadela, Loures, com a visita do Presidente da República. Ao longo de duas horas, Marcelo Rebelo de Sousa assistiu a diversas atividades do centro e, sempre afável e com uma boa disposição contagiante, percorreu as instalações, interagindo e conversando com os refugiados e com os trabalhadores do centro. As comemorações continuaram ao fim da tarde na Ribeira das Naus com diversos eventos culturais organizados em parceria com a C.M.Lisboa.
O Chefe de Estado foi recebido por Teresa Tito de Morais, Presidente do CPR, no foyer do auditório do CAR. Após a troca de cumprimentos, assistiu a uma representação do RefugiActo - um grupo de teatro amador composto por refugiados de várias nacionalidades, com orientação artística da atriz/ encenadora Sofia Cabrita, que é apoiado pelo programa PARTIS da Fundação Gulbenkian.
O Presidente da República dirigiu-se depois à biblioteca do centro, onde um grupo de ‘Menores Não Acompanhados’ desenvolvia uma atividade de artes plásticas, também inserida no programa PARTIS, orientada pelo formador Ângelo Merayo.
Na entrada principal do CAR, para onde se dirigiu em seguida, Marcelo Rebelo de Sousa conheceu Nasri Hazimeh, um palestiniano que é rececionista do centro desde a sua inauguração, em Outubro de 2006. Nasri tornou-se refugiado com 1 ano de idade, quando os seus pais fugiram para a Síria, onde viveu a maioria da sua vida, grande parte na prisão devido às suas posições políticas sobre o conflito israelo-palestiniano. Nasri Hazimeh lançou um desafio ao PR: ser um intermediário entre israelitas e palestinianos na procura de soluções para o longo conflito gerador de milhões de refugiados. Seguiu-se um diálogo bem interessante: "Daqui a cinco anos já não sou Presidente, posso ir consigo viajar para a Palestina", ao que Nasri retorquiu: "Aí não estou de acordo com você, porque vai fazer dez anos". O Presidente reagiu, dizendo "Bom... isso depois vê-se", comentando que Nasri "fala muito bem português e sabe de Portugal mais do que devia!"
Seguidamente, dirigiu-se à Oficina de Orientação Cultural, onde decorria uma sessão de informação sobre Portugal e Cidades Portuguesas, e entrou numa aula de português, onde conversou com a professora Isabel Galvão e alunos. Daí, seguiu para a sala de convívio, local de culto e, depois, para a cozinha sendo presenteado com algumas iguarias confecionadas pelos refugiados. A visita terminou no pátio do CAR com uma atuação das crianças da creche e jardim de infância.
No final da visita, o Presidente conversou com os jornalistas e deu ênfase ao consenso nacional sobre a questão dos refugiados, afirmando “Estamos todos unidos em Portugal em relação aos refugiados. Portugal pensa, sente a uma só voz. Estamos juntos, e o povo português está junto, connosco. Estamos todos juntos recebendo-os, acolhendo-os como nossos irmãos".
Referiu também a colaboração da C.M.Loures - “Temos o senhor presidente de Câmara, que vai dar terreno para duplicar este centro. E isso merece aplauso” -, arrancando uma salva de palmas para Bernardino Soares.
Destacou que não tem havido falhas por parte das autoridades portuguesas e que os problemas havidos têm estado nos países de trânsito. De qualquer modo, salientou, a situação melhorou e os fluxos estão a tornar-se mais regulares.
Marcelo Rebelo de Sousa, dirigindo-se aos jornalistas e a todos os presentes, quis que ficasse clara uma importante mensagem: "No nosso coração não há um dia dos refugiados. Todos os dias são dias dos refugiados. Todos nós podemos ser refugiados um dia, e todos por isso compreendemos".
Participaram também na visita a ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, o Ministro-Adjunto, Eduardo Cabrita, a secretária de Estado para a Igualdade e Cidadania, Catarina Marcelino, e o presidente da Câmara Municipal de Loures, Bernardino Soares.
Nas comemorações do DMR estiveram presentes algumas das famílias de refugiados que, não estando alojadas no CAR, são apoiadas pelo CPR, especialmente as que chegaram ao abrigo do programa de recolocação dentro da UE. De salientar também o empenho dos nossos parceiros nesse âmbito, nomeadamente a Fundação INATEL, C.M. Oeiras, C.M. Santarém e Comité Olímpico Português.
De destacar, ainda, a "Concentração Solidária #ComOsRefugiados", organizada em parceria com a RH Mais, que reuniu algumas dezenas de pessoas solidárias com a causa.
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Durante a tarde e à noite, numa parceria do CPR com a C.M.Lisboa para comemoração do Dia Mundial do Refugiado, realizaram-se diversos eventos socioculturais. Pelas 15h, no Salão Nobre dos Paços do Concelho (CML) realizou-se a conferência “As cidades como resposta à crise dos refugiados”. Na Ribeira das Naus, com início às 19h, foram exibidos três interessantes documentários sobre a temática: “We Will Arrive Tomorrow”, de Maria Galliani Dyrvik; e “The Longest Run”, de Marianna Economou; e “O Refugiado”, de Rui Cardoso.
Também na Ribeira das Naus, pelas 21h, teve início o Sarau Cultural do Dia Mundial dos Refugiados com animação de rua pelos “Baque do Tejo” e pelas 21h30 começou o espetáculo no palco organizado pelo CPR, C.M.Lisboa e Associação de Refugiados. "The Ramblers", "RefugiActo", "Bule-Bule na Ribeira" e "Dino D’Santiago" desfilaram pelo palco, arrancando ovações do público. O espetáculo terminou cerca das 23h30, em apoteose, com Teresa Tito de Morais, os artistas e os trabalhadores do CPR no palco.
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 Reportagem RTP    
 Reportagem TVI    
 Reportagem SIC

 

 

 

De acordo com as últimas estatísticas, o número de migrantes forçados em todo o mundo ultrapassa os 65 milhões e não pára de aumentar. O número de pessoas que buscam protecão no nosso país é de cerca de 870 por ano ou 87 pessoas por cada milhão de habitantes, um número bastante inferior à média europeia (2600 pedidos por milhão de habitantes na UE-28, em 2015). Há um quarto de século que o CPR, sempre em colaboração com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), procura minimizar as consequências das deslocações forçadas, em particular das pessoas acolhidas em Portugal.