Martin Schulz visita o CAR
LISBOA, 3 de junho de 2016 (CPR) - O Presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, acompanhado da Ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, e do Ministro-adjunto Eduardo Cabrita, entre outras altas individualidades, visitou esta manhã o Centro de Acolhimento para Refugiados da Bobadela (CAR), sendo recebido por Teresa Tito de Morais, Presidente do Conselho Português para os Refugiados (CPR) e Isabel Sales, diretora do CAR.
A comitiva percorreu as instalações do CAR e interagiu com algumas das cerca de 260 pessoas atualmente apoiadas pelo Centro. Na cozinha, Schulz entabulou conversa com um congolês que preparava a sua refeição e ouviu palavras de gratidão a Portugal, "um país onde se respeitam os direitos humanos". Aí, também falou com uma médica iraquiana, matriarca de uma família recém-chegada, que elogiou a forma como estão a ser recebidos.
Os visitantes entraram depois nas salas das aulas de português. Ângelo Merayo, professor de português, dava uma aula que tinha como pano de fundo as Festas de Lisboa do mês de junho. À comitiva, Merayo, assinalou a importância dos aspetos socioculturais na aprendizagem da língua e no contexto da integração. Noutra sala, a professora Isabel Galvão, respondendo a uma pergunta de Schulz sobre a forma como se comunicava com tantas nacionalidades diferentes, explicou que há diversas estratégias, utilizando sempre a língua portuguesa como base, passando até pela dinamização de um grupo de teatro, o RefugiActo. Sempre bem disposto, o Presidente do PE, falando para todos, retorquiu: "Eu sou um político europeu da Alemanha mas também sei fazer teatro!".
Sempre acompanhado por Teresa Tito de Morais, Schulz visitou depois a creche e jardim-de-infância "Espaço A Criança", sendo recebido por Filipa Silva, Diretora Pedagógica. Este equipamento é um exemplo de boas práticas devido à partilha do mesmo espaço entre os filhos dos refugiados e as crianças da sociedade de acolhimento. Dando largas a uma enorme satisfação, o Presidente do PE afirmou: "Começar com as crianças, a brincar e a crescer juntas, é a melhor maneira de lutar contra o racismo e a xenofobia e melhor forma de integrar. Por isso, estou muito, muito grato. Hoje aprendi aqui uma lição."
A visita terminou no auditório do CAR onde decorria uma sessão de expressão dramática orientada pela atriz Sofia Cabrita no âmbito do projeto "Dormem mil gestos nos meus dedos", financiado pela Fundação C. Gulbenkian. Num ambiente muito descontraído e informal, proporcionado pela atividade que decorria, Schulz despiu o casaco, saltou para o palco e recitou Fausto, de Goethe, sendo entusiasticamente aplaudido. Teresa Tito de Morais fez então um breve discurso final, agradecendo a visita e fazendo votos por uma Europa mais solidária com os refugiados.
Já fora do auditório, aos jornalistas presentes, Schulz demonstrou mais uma vez o seu agrado: "Estou bastante impressionado com o ambiente aqui. Julgo que o que o Centro faz pelos refugiados é excecional. A generosidade e a forma como as pessoas são integradas são realmente extraordinárias". O Presidente do Parlamento Europeu voltou a criticar os estados-membros que não estão a cumprir com ordens da União Europeia para o acolhimento aos migrantes: "Devemos partilhar a responsabilidade pelos refugiados entre os 28 estados-membros e não apenas entre alguns dos 28".
Mais tarde, no decurso de uma conferência de imprensa conjunta com António Costa, na residência oficial do primeiro-ministro, em São Bento, numa referência à visita ao CAR, o líder do Parlamento Europeu sublinhou o "forte compromisso de Portugal, o segundo país até ao momento a receber refugiados [ao abrigo do programa de recolocação dentro da UE], e o compromisso do país para ajudar e contribuir para uma solução europeia face à crise dos refugiados que enfrentamos". O responsável europeu disse ter ficado "muito impressionado" com o que presenciou, agradeceu o "empenho" de Portugal neste problema e destacou a cooperação entre a instituição europeia e o Governo e parlamento portugueses na busca de "soluções necessárias" para uma UE com mais "justiça social" e um "desenvolvimento económico e social equilibrado".

 

 

 

 

De acordo com as últimas estatísticas, o número de migrantes forçados em todo o mundo ultrapassa os 65 milhões e não pára de aumentar. O número de pessoas que buscam protecão no nosso país é de cerca de 870 por ano ou 87 pessoas por cada milhão de habitantes, um número bastante inferior à média europeia (2600 pedidos por milhão de habitantes na UE-28, em 2015). Há um quarto de século que o CPR, sempre em colaboração com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), procura minimizar as consequências das deslocações forçadas, em particular das pessoas acolhidas em Portugal.