Atrasos inadmissíveis no Programa de Relocalização de Refugiados

LISBOA, 4 de novembro de 2015 (LUSA/CPR) - A Presidente do CPR, Teresa Tito de Morais, entrevistada hoje pela LUSA, considerou "inadmissível" que as organizações nacionais estejam há dois meses à espera dos refugiados ao abrigo do Programa de Relocalização na União Europeia, segundo o qual Portugal receberá 4.500 pessoas num período de dois anos.
Nas declarações à Lusa, Teresa Tito de Morais questiona porque é que continuamos a aguardar a chegada de refugiados que estão em Itália, cujo processo está "a ser muito lento", e não acolhemos desde já pessoas que estão na Grécia, onde a situação é tão dramática. No mês passado, outubro, bateram-se todos os records mensais de chegadas por mar à UE, quase igualando num mês o total anual de 2014. A grande maioria das travessias (96% das registadas até 31 de outubro) é feita para Grécia e o seu ritmo não abranda. Se o Programa de Relocalização não funcionar com a eficácia necessária, as pessoas continuarão fazer a jornada caótica pela Rota dos Balcãs, podendo virem a verificar-se situações ainda mais trágicas, devido ao rigor dos invernos, incompatíveis com os valores europeus e em pleno Séc. XXI.
"A situação é inadmissível e choca, perante a necessidade de saída urgente de pessoas. É chocante que o ritmo seja tão lento", enfatizou Teresa Tito Morais.
O primeiro voo de relocalização ocorreu a 9 de outubro quando 19 eritreus viajaram de Itália para Suécia. Esta madrugada ocorreu a primeira relocalização de refugiados a partir da Grécia, envolvendo um grupo de 30 sírios e iraquianos transferidos para o Luxemburgo.
Entretanto, deverão chegar a Portugal este sábado, dia 7, outras 45 pessoas, que serão alojadas em Lisboa, Sintra e Penela, ao abrigo do Programa de Reinstalação de Refugiados em que Portugal, desde 2007, se obriga a acolher anualmente um mínimo de 30 refugiados.

 

 

 

DIVERSOS PROJECTOS DO CPR SÃO FINANCIADOS PELO FUNDO ASILO, MIGRAÇÃO E INTEGRAÇÃO (FAMI)

 

De acordo com as últimas estatísticas, o número de migrantes forçados em todo o mundo ultrapassa os 65 milhões e não pára de aumentar. O número de pessoas que buscam protecão no nosso país é de cerca de 870 por ano ou 87 pessoas por cada milhão de habitantes, um número bastante inferior à média europeia (2600 pedidos por milhão de habitantes na UE-28, em 2015). Há mais de um quarto de século que o CPR, sempre em colaboração com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), procura minimizar as consequências das deslocações forçadas, em particular das pessoas acolhidas em Portugal.