Estatísticas Globais 31-12-2011
eritreia china mianmar
   
(PASSE COM O RATO SOBRE OS PONTOS INTERMITENTES)
GENEBRA, 18 de junho de 2012 (ACNUR) - Como ha­bi­tualmente, por oca­sião do Dia Mundial do Refu­giado, o ACNUR publicou as estatísticas sobre o "es­ta­do atual dos refugiados no Mundo", referentes a 31 de dezembro do ano passado. No relatório hoje divulgado, cerca de 800 mil pessoas foram for­çadas a abandonar os seus países em 2011, o número mais elevado dos últimos onze anos. Registaram-se cerca de 4,3 milhões de "novos deslocados, devido a conflitos ou perseguições" e pelo quinto ano consecutivo, o número global de deslocados, externos ou internos, ultrapassou os 40 milhões - 42,5 milhões, dos quais 25,9 milhões recebiam proteção e assistência do ACNUR no final de 2011, mais 700 mil do que em 2010.
De acordo com o relatório, os países mais pobres continuam a ser os mais generosos com os refugiados: no final do ano passado, quatro quintos dos refugiados do mundo viviam nos 48 países menos desenvolvidos. O Paquistão acolhe o maior número de refugiados (1,7 milhões), seguido do Irão (887 mil) e da Síria (755 mil).
O Afeganistão mantém-se na liderança dos países de origem de refugiados, com 2,7 milhões de cidadãos espalhados por 79 Estados. Em média, um em cada quatro refugiados é originário do Afeganistão (95 por cento dos quais estão no Paquistão e no Irão). Segue-se o Iraque, com 1,4 milhões de refugiados, a Somália, com 1,1 milhões, o Sudão, com 500 mil, e a República Democrática do Congo, com 491 mil.
Observa-se um aumento substancial do número de pedidos de asilo de menores não acompanhados, sobretudo do Afeganistão e da Somália, em 2011, representando 34 por cento dos pedidos (mais de 17 mil) em 69 países. Cerca de 46 por cento dos refugiados têm menos de 18 anos de idade e, em média, as mulheres e meninas constituem 49 por cento dos refugiados e metade dos deslocados internos.
"No ano de 2011, o sofrimento humano aringiu uma escala épica. Os custos pessoais foram enormes para todos aqueles que tiveram as suas vidas drasticamente afetadas em tão curto espaço de tempo", disse o Alto Comissário da ONU para Refugiados, António Guterres, acrescentando "Temos que agradecer ao sistema de proteção internacional, que se manteve firme na maioria dos casos, deixando as fronteiras abertas. Estamos num momento de desafio", comentou Guterres. Em todo o mundo, 42,5 milhões de indivíduos terminaram o ano de 2011 numa situação de asilo, seja como refugiados (15,42 milhões), deslocados internos (26,4 milhões) ou requerentes de asilo (895 mil).
Apesar do grande número de novos refugiados, as estatísticas de 2011 ficaram ligeiramente abaixo dos 43,7 milhões de deslocados registados no final de 2010. Essa diferença deve-se, principalmente, ao grande número de deslocados internos que pôde voltar para as suas casas no ano passado. Foram 3,2 milhões de pessoas, representando o maior retorno de deslocados internos numa década. Entretanto, entre a população refugiada, o número de repatriamentos voluntários em 2011 (532 mil) foi o terceiro mais baixo numa década.
Visto numa perspectiva de dez anos, o relatório mostra diversas tendências preocupantes. Entre elas, o facto das deslocações forçadas afetarem grandes grupos de pessoas por todo o mundo, a um nível superior a 42 milhões de indivíduos nos últimos cinco anos consecutivos. Outra tendência preocupante está relacionada com o facto dos refugiados permanecerem nesta situação por muitos anos, vivendo em campos de refugiados ou em condições precárias nas áreas urbanas. Do total de 10,4 milhões de refugiados sob mandato do ACNUR, quase 75% (7,1 milhões) estão pelo menos cinco anos no exílio, aguardando uma solução para esta situação.
Nem todas as 42,5 milhões de pessoas deslocadas estão sob o mandato do ACNUR. Cerca de 4,8 milhões de refugiados de origem palestiniana são da competência da agência UNRWA (United Nations Relief and Works Agency for Palestine Refugees). Entre os 26,4 milhões de deslocados internos, 15,5 milhões recebem assistência e proteção do ACNUR. Em conjunto, o número de refugiados e deslocados internos sob mandato do ACNUR cresceu entre 2010 e 2011, chegando a 25,9 milhões de pessoas (um crescimento de 700 mil indivíduos).
Cerca de 80% dos refugiados do mundo vivem próximos dos países de origem, com um impacto negativo sobre as populações dessas regiões em geral economicamente bastante carenciadas. De acordo com o relatório, os principais países de destino são Paquistão (1,7 milhões de pessoas), Irão (886,5 mil), Quénia (566,5 mil) e Chade (366,5 mil). Entre os países industrializados, a Alemanha é o único que integra o grupo dos principais destinos, com uma população refugiada de 571.700 pessoas). O relatório ressalta, entretanto, que a África do Sul foi o país que recebeu mais pedidos individuais de asilo em 2011 (107 mil), tendência verificada nos últimos quatro anos.
Nas Américas, apesar de ser a região que tem o menor número de refugiados (8%) em relação ao total mundial, a situação, ainda assim, é preocupante. O número de pessoas sob o mandato do ACNUR cresceu de 19,2 milhões em 2005 para 33,9 milhões em 2011, dos quais mais de 4 milhões são refugiados, deslocados internos, retornados ou apátridas na América Latina e Caraíbas. Nas Américas o sentido de solidariedade com os refugiados é marcante, notado pelos esforços em garantir a proteção, mantendo os países as suas fronteiras abertas apesar de também enfrentarem problemas internos e crises económicas. A maioria dos refugiados é de origem colombiana (392,6 milhares).
O Equador continua a ser o país com a maior população refugiada (55 mil) e com 20 mil pedidos de asilo em curso. Em segundo lugar, a Costa Rica reconheceu 12,571 refugiados. O número de refugiados cresceu também no Chile (1,674), Panamá (2,262) e no Brasil (4,477).
Apátridas - O ACNUR foi criado há 60 anos com o mandato original de proteger especificamente os refugiados, mas nas últimas seis décadas o trabalho da agência tem incluído a ajuda a deslocados internos em diversos países e também a apátridas - pessoas sem cidadania reconhecida por qualquer país e, consequentemente, sem a garantia de direitos humanos que a acompanha. O relatório mostra que somente 64 governos mantêm registos de apatridia, o que significa que o ACNUR teve acesso apenas às estatísticas de aproximadamente 25% dos cerca de 12 milhões de apátridas no mundo.

 

 

DIVERSOS PROJECTOS DO CPR SÃO FINANCIADOS PELO FUNDO ASILO, MIGRAÇÃO E INTEGRAÇÃO (FAMI)

 

De acordo com as últimas estatísticas, o número de migrantes forçados em todo o mundo ultrapassa os 65 milhões e não pára de aumentar. O número de pessoas que buscam protecão no nosso país é de cerca de 870 por ano ou 87 pessoas por cada milhão de habitantes, um número bastante inferior à média europeia (2600 pedidos por milhão de habitantes na UE-28, em 2015). Há mais de um quarto de século que o CPR, sempre em colaboração com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), procura minimizar as consequências das deslocações forçadas, em particular das pessoas acolhidas em Portugal.