Estatísticas Globais 31-12-2012
GENEBRA, 19 de junho de 2013 (ACNUR/UNHCR) - De acordo com o relatório publicado hoje pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), há atualmente, após a crise síria se ter convertido no mais importante fator das deslocações forçadas de população a um nível global, mais refugiados e deslocados internos do que em qualquer outro momento desde 1994(1).
O relatório do ACNUR, "Tendências Globais", analisa as deslocações forçadas durante o ano de 2012 a partir dos dados fornecidos por instâncias oficiais, organizações não governamentais parceiras e pelo próprio ACNUR. Este relatório mostra que em finais de 2012 mais de 45,2 milhões de pessoas se encontravam deslocadas, contra os 42,5 milhões em finais de 2011. Este número inclui 15,4 milhões de refugiados, 937.000 requerentes de asilo(2) e 28,8 milhões de deslocados internos, pessoas obrigadas a fugir dentro das fronteiras dos seus próprios países.
A guerra é a principal causa das deslocações forçadas de população. Cerca de 55% dos refugiados são procedentes de 5 países afetados pela guerra: Afeganistão. Somália, Iraque, Síria e Sudão. O relatório reflete também as novas deslocações forçadas com origem no Mali, R.D.Congo, Sudão, Sudão do Sul e Etiópia. Estes números são realmente alarmantes. Refletem um enorme sofrimento individual e as dificuldades da comunidade internacional para prevenir conflitos e promover atempadamente soluções", declarou António Guterres, Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados.
O relatório destaca algumas tendências preocupantes em vários âmbitos, uma das quais é o ritmo a que as pessoas se veem forçadas a deslocar-se hoje em dia. Durante 2012, registaram-se cerca de 7,6 milhões de novos casos de deslocação forçada, dos quais 1,1 milhões eram refugiados e 7,6 milhões deslocados internos. Isto é, em cada 4,1 segundos há um novo refugiado ou deslocado interno no Mundo.
Torna-se também evidente que persiste a brecha entre os países mais ricos e os mais pobres no momento de acolher os refugiados. Dos 10,5 milhões de refugiados sob o mandato do ACNUR (outros 4,9 milhões de refugiados palestinianos encontram-se sob o mandato da UNRWA), metade foram acolhidos por países com um PIB per capita inferior a 5.000 dólares. No total, os países em desenvolvimento acolhem 81% dos refugiados no Mundo, bastante mais do que há uma década atrás, quando acolhiam 70%. Os menores de 18 anos constituem 46% da população refugiada. Acresce que se registou um número recorde de 21.300 pedidos de asilo por menores não acompanhados ou separados dos pais. Trata-se do maior número de menores não acompanhados registado desde sempre pelo ACNUR.
A deslocação forçada de cada ano é a soma algébria das deslocações forçadas nesse período, daquelas que permanecem sem ser resolvidas e dos deslocados para os quais foi encontrada uma solução duradoura (um número de sinal negativo), como por exemplo, as pessoas que puderam regressar à sua terra ou as que conseguiram estabelecer-se de modo permanente fora do seu país de origem mediante a obtenção de cidadania ou qualquer outra opção. O ACNUR trabalha para ajudar as pessoas que foram forçadas a deslocarem-se, incluindo a prestação de assistência humanitária e de ajuda prática imediata, assim como na busca de soluções para a sua difícil situação. No ano de 2012 constatou-se o fim da deslocação de 2,7 milhões de pessoas, incluindo 526.000 refugiados e 2,1 milhões de deslocados internos. Entre aqueles que beneficiaram de soluções duradouras de longo prazo estavam 74.800 pessoas a quem o ACNUR propôs a reinstalação em países terceiros. No ano passado verificaram-se poucas mudanças face a 2011 no que se refere aos principais países de acolhimento de refugiados. O Paquistão continua a acolher mais refugiados do que qualquer outro país (1,6 milhões), seguido do Irão (868.200) e da Alemanha (589.700).
O Afeganistão continua a ser o maior gerador de refugiados do Mundo, uma posição que mantém há 32 anos. Em média, um em cada quatro refugiados no Mundo é afegão, e 95% encontram-se no Paquistão e Irão. A Somália, também com um conflito de longa duração, foi a segunda nação geradora de refugiados. Os iraquianos constituem o terceiro maior grupo de refugiados (746.700), seguido os sírios (471.400). Não obstante, é importante ter em conta que o número de refugiados sírios disparou em 2013, ultrapassando atualmente 1,6 milhões de refugiados em países vizinhos. No referente às pessoas deslocadas dentro dos seus próprios países, o número de 28,8 milhões no ano de 2012 é o mais alto desde há mais de duas décadas. Este dado inclui 17,7 milhões de pessoas que estão recebendo ajuda do ACNUR. Também se observam importantes novas deslocações internas na R.D.Congo e na Síria. O relatório "Tendências Globais" é o documento anual mais relevante publicado pelo ACNUR sobre as deslocações forçadas de população. Ao longo de cada ano, o ACNUR publica dados adicionais no seu Anuário Estatístico e relatórios sobre os pedidos de asilo em países industrializados.


(1) Entre as principais deslocações forçadas de 1994 registaram-se as da região dos Grandes Lagos (África), os gerados pela guerra da ex- Jugoslávia, Somália, Afeganistão e Cáucaso, assim como na Libéria e Serra Leoa (http://www.unhcr.org/3eeed3df4.html).

(2) O número 937.000 representa os pedidos de asilo que estão pendentes de resolução em finais de 2012. O número de novos pedidos de asilo em 2012 foi de 893.700.

 

 

DIVERSOS PROJECTOS DO CPR SÃO FINANCIADOS PELO FUNDO ASILO, MIGRAÇÃO E INTEGRAÇÃO (FAMI)

 

De acordo com as últimas estatísticas, o número de migrantes forçados em todo o mundo ultrapassa os 65 milhões e não pára de aumentar. O número de pessoas que buscam protecão no nosso país é de cerca de 870 por ano ou 87 pessoas por cada milhão de habitantes, um número bastante inferior à média europeia (2600 pedidos por milhão de habitantes na UE-28, em 2015). Há mais de um quarto de século que o CPR, sempre em colaboração com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), procura minimizar as consequências das deslocações forçadas, em particular das pessoas acolhidas em Portugal.