Travessias do Mediterrâneo continuam a aumentar exponencialmente

GENEBRA, 2 de novembro de 2015 (ACNUR/CPR) - Adrian Edwards, porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), informou hoje num briefing com a imprensa que 218.324 refugiados e outros migrantes chegaram à UE, por via marítima, durante o mês de outubro, um número que é signi­fi­cativamente superior ao mês anterior (172.843), que já tinha constituído o maior recorde mensal de sempre, e que é idêntico ao número de chegadas durante todo o ano de 2014 (cerca de 219.000 pessoas).
A grande maioria (96% ou 210 mil) chegou à Grécia, principalmente à ilha de Lesbos, a partir da Turquia. "O número de chegadas em apenas alguns dias foi impressionante. No dia 20 de outubro, atingiu-se o pico máximo diário com cerca de 10.000 entradas", declarou Edwards.
A Itália chegaram 8.129 pessoas contra mais de 15 mil em igual período do ano passado. Os peritos atribuem esta quebra a uma alteração da rota dos refugiados sírios que deixaram de passar por Itália, alcançando a Europa através da Turquia e da Grécia.
Em todo o Mediterrâneo, durante este ano, até ao fim de outubro, registou-se um total de 744.175 entradas via marítima na UE, das quais 601.000 através da Grécia, 144.000 de Itália e 2.800 de Espanha.
De qualquer modo, o número de refugiados que entrou na Europa é muito pequeno quando o comparamos com o número de acolhimentos nos países vizinhos, Turquia (2 milhões), Líbano (1 milhão) e Jordânia (600 mil).
Apesar das condições climatéricas se terem agravado, continua a haver uma grande pressão nas fronteiras, sobretudo no Mar Egeu. Enfrentando todos os riscos, as pessoas empreendem a longa jornada para chegarem à Europa Central, temendo que algumas fronteiras se encerrem definitivamente, obrigando-as a permanecer em grandes campos de trânsito. Acresce que passadores e traficantes, para que os seus lucros não parem, oferecem descontos de até 50% quando o tempo piora. No último fim de semana morreram 11 pessoas, incluindo 6 crianças, a escassas dezenas de metros da ilha grega de Samos. Note-se que, aqui, a distância entre a ilha e a costa turca é de apenas 1,6 km.
Este ano, até 31 de outubro, nas travessias irregulares do Mediterâneo, já morreram cerca de 3.500 pessoas, registando-se a maioria dos naufrágios entre a costa líbia e a Itália.

 

 

 

DIVERSOS PROJECTOS DO CPR SÃO FINANCIADOS PELO FUNDO ASILO, MIGRAÇÃO E INTEGRAÇÃO (FAMI)

 

De acordo com as últimas estatísticas, o número de migrantes forçados em todo o mundo ultrapassa os 65 milhões e não pára de aumentar. O número de pessoas que buscam protecão no nosso país é de cerca de 870 por ano ou 87 pessoas por cada milhão de habitantes, um número bastante inferior à média europeia (2600 pedidos por milhão de habitantes na UE-28, em 2015). Há mais de um quarto de século que o CPR, sempre em colaboração com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), procura minimizar as consequências das deslocações forçadas, em particular das pessoas acolhidas em Portugal.