Em Fafe, no evento "Terra Justa", homenagem a António Guterres, Agenzia Habeshia e F. Gulbenkian

FAFE, 9 de abril de 2016 (CPR/CM-Fafe) - De 5 a 9 de Abril, Fafe foi a capital das causas e valores da humanidade. Durante 5 dias, conferências, tertúlias de café com convidados nacionais e internacionais, exposições de rua, teatro de rua, debates, música, arte pública e muitas outras atividades levaram as pessoas a refletir sobre causas e valores da humanidade, tendo os refugiados como pano de fundo. Teresa Tito de Morais, Presidente do CPR, foi uma das participantes.

António Guterres homenageado no Teatro Cinema em Fafe

Perante um teatro repleto, António Guterres foi homenageado pela Câmara Municipal de Fafe, no âmbito do evento “Terra Justa”.

Acarinhado por todos, o candidato ao cargo de secretário-geral das Nações Unidas, destacou um evento como o Terra Justa que inquieta mentalidades e sensibilidades.

“No nosso país as pessoas vivem muito fechadas em si, mas Fafe mostra o contrário. Esta ideia é muito interessante, porque permite um exercício de cidadania universal”.

Na cerimónia, Guterres disse-se ainda surpreendido com a justiça de Fafe e explicou que a sua presença fica a dever-se a um evento tão raro como o que acontece por estes dias.

“Estou surpreendido e impressionado com a justiça de Fafe que, ao contrário do que pensava, é muito gentil. O que motivou a minha vinda aqui foi o facto desta cidade, através do Terra Justa, realizar uma atividade pouco vulgar hoje em dia”.

Na ocasião, o presidente da câmara municipal de Fafe, Raúl Cunha falou do agrado que é ter uma figura como Guterres na cidade e explicou que a homenagem é mais que merecida pelo trabalho realizado.

“Trata-se de um momento muito emotivo. Hoje prestamos homenagem ao engenheiro, à sua vida e obra, a alguém que sempre se preocupou com o outro”.

Na conferência de homenagem a António Guterres, estiveram ainda presentes Luísa Maia Gonçalves, diretora Nacional do SEF, Teresa Tito de Morais e Luís Braga da Cruz.

Fafe homenageou papel de Agenzia Habeshia na ajuda aos migrantes que chegam às fronteiras da europa

“A escolha deste tema pretende inquietar e questionar todos sobre qual o papel na ajuda aos refugiados que estão a fugir de um drama e homenagear aqueles que, como Mussie Zerai e Tarek Brhane, ajudam os refugiados”. Foi desta forma que o presidente da Câmara Municipal de Fafe, Raul Cunha, iniciou, ontem à noite, a conferência de homenagem à Agenzia Habeshia.

Segundo Raul Cunha, este tributo pretende, acima de tudo, alertar consciências.

“Através desta homenagem que hoje estamos a fazer, pretendemos dar um pequeno contributo para inquietar as pessoas e as consciências. A questão dos refugiados é uma emergência. Temos de ser capazes de interromper este drama que está a acontecer às portas da europa”.

Numa noite de conversa, em que o tema principal foram os migrantes que chegam aos milhares às fronteiras com a europa, a necessidade de acolhimento foi destacada por todos os convidados, com Teresa Tito de Morais, presidente do Conselho Português para os Refugiados, a alertar para o número de homens e mulheres que têm chegado à europa, fugidos da guerra.

“Vivemos num mundo com mais de 60 milhões de refugiados e a tendência é para aumentar. Estas pessoas não têm outra alternativa que não fugir de países sem segurança. Esta é a última oportunidade para reconstruir as suas vidas”.

Na ocasião, Manuel Carvalho da Silva destacou também a postura da sociedade que vive atormentada com a possibilidade destas pessoas que chegam ocuparem os seus lugares. O responsável criticou ainda as políticas da Europa nesta matéria.
“As pessoas andam atormentadas por medos. As políticas da União Europeia são insuficientes e têm dimensões inaceitáveis. É preciso mexer na base, enquanto isso não acontecer, nada mudará”.

Numa conferência moderada pelo jornalista Henrique Garcia, esteve ainda presente Joaquim Franco, do Observatório para a Liberdade Religiosa, Frei Bento Domingues e José Reis, presidente da Plataforma Portuguesa da ONGD.

Entre os presentes destaque para os homenageados. Mussie Zerai e Tarek Brhane que salientaram a importância deste tipo de iniciativas no sentido de alertar consciências e debater uma questão que é de todos.

 

 

 

DIVERSOS PROJECTOS DO CPR SÃO FINANCIADOS PELO FUNDO ASILO, MIGRAÇÃO E INTEGRAÇÃO (FAMI)

 

De acordo com as últimas estatísticas, o número de migrantes forçados em todo o mundo ultrapassa os 65 milhões e não pára de aumentar. O número de pessoas que buscam protecão no nosso país é de cerca de 870 por ano ou 87 pessoas por cada milhão de habitantes, um número bastante inferior à média europeia (2600 pedidos por milhão de habitantes na UE-28, em 2015). Há mais de um quarto de século que o CPR, sempre em colaboração com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), procura minimizar as consequências das deslocações forçadas, em particular das pessoas acolhidas em Portugal.