Festa de Fim de Ano do CPR
BOBADELA, 21 de dezembro de 2015 (CPR) - Todos os anos, no auditório do CAR, na Bobadela, Loures, o CPR organiza uma festa-convívio para comemorar a mudança de ano. Refugiados e requerentes de proteção, volun­tários, amigos e colaboradores do CPR confraternizaram num convívio que se prolongou por toda a tarde de domingo.
A Presidente do CPR, Teresa Tito de Morais, abriu o "sarau" com um curto balanço do ano que agora termina, salientando a gravidade da atual crise humanitária, com milhões de refugiados e outros deslocados espalhados pelo mundo, em proporções inigualáveis desde há mais de sete décadas, muitos em situações de grande sofrimento. Agradecendo a dedicação e a colaboração ao longo do ano, a Presidente do CPR lançou o repto para o empenho de todos em 2016, um ano de desafios ainda maiores.
Mas, depois destas palavras de reflexão e incentivo, the show must go on e Filipa Silva, Diretora do "Espaço A Criança", que assumiu na festa o papel de apresentadora e pivot, deu a palavra a Sofia Cabrita, diretora artística do projeto "Dormem Mil Gestos nos Meus Dedos", que, por sua vez, introduziu a entrada em cena do RefugiActo, grupo de teatro do CPR, com a peça "Fragmentos de Teatro". Muitos aplausos, como é habitual para o RefugiActo.
Seguiu-se a atuação do grupo de refugiados chineses. Durante 2015, o número de requerentes de proteção chineses aumentou significativamente. São algumas dezenas de refugiados determinados em recomeçar uma vida nova no nosso país, com um esforço de inclusão notável. Arrancaram uma grande salva de palmas...
Tomou depois a palavra, de forma bem sincopada, o grupo de rap Pirataria 2635: "E a Europa é tão unida com ideias pioneiras / Eu não vejo uma saída só vejo fechar fronteiras / Vejo construírem muros e muita indiferença / Como se ser refugiado fosse sinónimo de doença" . Os rappers foram fortemente aplaudidos.
A Sofia Cabrita voltou ao palco, agora para apresentar uma "sessão de expressão dramática", uma réplica do exercício de teatro que faz semanalmente com os residentes do CAR e que visa promover a auto-confiança e o desenvolvimento pessoal. Palmas para a Sofia!
Depois, tivemos música da Ucrânia. Os ucranianos estão no topo dos países de origem dos refugiados que pedem espontaneamente proteção a Portugal. Muitas palmas, prolongadas pela claque...
"Os Desafinados" atuaram a seguir. Trata-se de um grupo intermitente que prima em desafinar (...) constituído por toda a equipa do CPR, incluindo voluntários e estagiários. Muitos aplausos.
O show terminou com a alegria contagiante dos brasileiros do grupo Baque do Tejo. O país mais africano fora de África encheu de ritmos afro-brasileiros o auditório, transbordando para a rua.
Seguiu-se um jantar ligeiro, com sobremesas de muitas cores e sabores trazidas pelos convivas.
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O CPR agradece aos alunos, professores e encarregados de educação da Escola Básica do Bairro de São Miguel e às várias agências do Banco BPI pelos presentes que ofereceram e que deixaram tantas crianças refugiadas felizes (Ver Fotos)
Um agradecimento muito especial também ao Foyer Socio-Éducatif do Liceu Francês Charles Lepierre pela oferta de bilhetes de cinema aos Menores Não-Acompanhados alojados no nosso Centro de Acolhimento para Crianças Refugiadas (CACR) e à Professora Ana Lemos e alunos que ontem proporcionaram uma agradável tarde de confraternização aos nossos jovens.

 

 

 

DIVERSOS PROJECTOS DO CPR SÃO FINANCIADOS PELO FUNDO ASILO, MIGRAÇÃO E INTEGRAÇÃO (FAMI)

 

De acordo com as últimas estatísticas, o número de migrantes forçados em todo o mundo ultrapassa os 65 milhões e não pára de aumentar. O número de pessoas que buscam protecão no nosso país é de cerca de 870 por ano ou 87 pessoas por cada milhão de habitantes, um número bastante inferior à média europeia (2600 pedidos por milhão de habitantes na UE-28, em 2015). Há mais de um quarto de século que o CPR, sempre em colaboração com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), procura minimizar as consequências das deslocações forçadas, em particular das pessoas acolhidas em Portugal.