Há necessidade de soluções para conter a crise global de refugiados, diz Grandi
GENEBRA, 11 de janeiro de 2016 (ACNUR) - Com um número recorde de refugiados e pessoas deslocadas no mundo, o novo Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, Filippo Grandi, apelou para que haja mais esforços diplomáticos na procura de soluções para os conflitos e abusos dos direitos fundamentais que levam as pessoas a abandonar as suas casas. "O ACNUR está a navegar em águas extraordinariamente difíceis", afirmou Grandi na sua primeira conferência de imprensa após a tomada de posse no início do ano.
Fazendo notar que há agora cerca de 60 milhões de pessoas deslocadas ao redor do mundo em resultado de conflitos, do Sudão do Sul à Síria, Grandi defende uma colaboração estreita com os seus parceiros e exortou os governos a investir mais energia e recursos na resolução das guerras e dos conflitos e a prover soluções para as causas das crises de refugiados.
Grandi enfatizou que os países que acolhem um grande número de refugiados, como o Líbano, que tem agora mais de um milhão de sírios, necessitam de uma ajuda mais substancial.
Também sublinhou a importância da reinstalação, vistos humanitários e reagrupamento familiar como ferramentas que podem permitir que os refugiados encontrem segurança noutros países, "não através de traficantes mas das vias que nós designamos como legais".
Depois de um ano em que chegam às costas mediterrânicas europeias mais de um milhão de refugiados e migrantes, Grandi apela à União Europeia que adote uma abordagem "coordenada e coesa" para lidar com as pessoas que procuram proteção e advertiu que o resto do mundo está a acompanhar de perto a resposta do continente. Grandi disse que se a Europa ergue barreiras e fecha portas, o resto do mundo fará o mesmo.
"A UE está a lutar por uma repartição equitativa dos encargos dentro da União, dentro do continente", afirmou o Alto Comissário, salientando que apenas 10% da população refugiada está atualmente na Europa.
"A chegada massiva de refugiados à Europa abriu os olhos desta parte rica do mundo para o facto de os refugiados terem necessidades enormes que não são respeitadas".
Grandi também salientou que o ACNUR está pronto a ajudar os refugiados a voltar aos países de origem que se tornaram seguros. Referindo-se aos refugiados e deslocados na Costa do Marfim e na Colômbia, salientou a importância das conversações de paz e reconciliação bem sucedidas para se criarem oportunidades de repatriamento.

 

 

 

DIVERSOS PROJECTOS DO CPR SÃO FINANCIADOS PELO FUNDO ASILO, MIGRAÇÃO E INTEGRAÇÃO (FAMI)

 

De acordo com as últimas estatísticas, o número de migrantes forçados em todo o mundo ultrapassa os 65 milhões e não pára de aumentar. O número de pessoas que buscam protecão no nosso país é de cerca de 870 por ano ou 87 pessoas por cada milhão de habitantes, um número bastante inferior à média europeia (2600 pedidos por milhão de habitantes na UE-28, em 2015). Há mais de um quarto de século que o CPR, sempre em colaboração com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), procura minimizar as consequências das deslocações forçadas, em particular das pessoas acolhidas em Portugal.