Filippo Grandi visita Damasco e apela para que haja acesso humanitário em todo o território sírio
DAMASCO, Síria, 24 de janeiro de 2016 (ACNUR) - Na sua primeira visita à Síria como Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, Filippo Grandi apelou a todas as partes implicadas no conflito para viabilizarem o acesso regular, sem restrições e continuado, das organizações humanitárias às zonas sitiadas e de circulação difícil.
Durante a sua visita a Damasco, o responsável máximo do ACNUR afirmou: "As pessoas necessitam da nossa ajuda. Não será tolerável que haja mais uma única criança a morrer de fome".
Com estas declarações, o Alto Comissário faz eco da petição que foi assinada por mais de 120 organizações humanitárias e agências das Nações Unidas em que se reclama o acesso humanitário às populações que necessitam de ajuda em todo o país. Filippo Grandi reuniu-se com Walid Muallem (Ministro dos Negócios Estrangeiros), Dr. Faisal Mekdad (Vice Ministro dos Negócios Estrangeiros) e Omar Ghalawanji (Ministro da Administração Interna). Grandi destacou o engajamento do ACNUR em fazer chegar a ajuda aos deslocados internos em todas as regiões da Síria. Também afirmou a vontade de cooperar na intensificação dos programas de subsistência e na educação e formação profissional on line.
Durante a sua visita a uma clínica do Crescente Vermelho Árabe (SARC) para refugiados e deslocados, Grandi entregou equipamentos de primeiros socorros e sete ambulâncias novas visando fazer face às crescentes necessidades de emergência médica. Elogiou o Crescente Vermelho Sírio pela sua corajosa e imparcial ajuda em todo o país, sendo o mais importante parceiro humanitário do ACNUR.
O carácter prolongado da crise síria está a ter efeitos devastadores para milhões de sírios. Cerca de 6,5 milhões estão deslocados internamente, no território sírio, e 4,6 milhões vivem refugiados em países vizinhos.
Estima-se que cerca de 13,5 milhões de sírios necessitem de ajuda humanitária. O ACNUR tem proporcionado abrigos e outros apoios aos civis deslocados pelo conflito, assim como ajuda psicossocial, educação e serviços sanitários a cerca de 800.000 pessoas.
Ainda em Damasco, o Alto Comissário encontrou-se com uma anciã, Fátima, com seis netos a seu cargo. Fátima, que não sabe o que aconteceu ao seu filho e à sua nora, vive com mais de 70 famílias num antigo edifício escolar convertido em abrigo depois de ter agarrado nos netos e ter fugido dos combates na sua localidade, a cerca de 30 minutos de Damasco. "Só quero saber se continuam vivos", disse Fátima a Grandi.
Filippo Grandi também se reuniu com a equipa das Nações Unidas em Damasco e com cerca de 4 centenas de trabalhadores do ACNUR que viajaram de diversas partes do país para conhecer o novo Alto Comissário.

 

 

 

DIVERSOS PROJECTOS DO CPR SÃO FINANCIADOS PELO FUNDO ASILO, MIGRAÇÃO E INTEGRAÇÃO (FAMI)

 

De acordo com as últimas estatísticas, o número de migrantes forçados em todo o mundo ultrapassa os 65 milhões e não pára de aumentar. O número de pessoas que buscam protecão no nosso país é de cerca de 870 por ano ou 87 pessoas por cada milhão de habitantes, um número bastante inferior à média europeia (2600 pedidos por milhão de habitantes na UE-28, em 2015). Há mais de um quarto de século que o CPR, sempre em colaboração com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), procura minimizar as consequências das deslocações forçadas, em particular das pessoas acolhidas em Portugal.