Número de chegadas à Grécia ultrapassou o meio milhão
GENEBRA, 20 de outubro de 2015 (ACNUR) - O número de chegadas por via marítima à Grécia, durante o ano corrente, ultrapassou o meio milhão com o desembarque ontem, segunda-feira, nas ilhas do Mar Egeu, de quase 8.000 pessoas.
O elevado número de chegadas põe à prova os procedimentos de receção e registo nas ilhas gregas. Os refugiados e outros migrantes querem desespera­damente continuar a sua viagem, temendo que as fronteiras dos outros países se fechem.
"É muito importante que na Grécia, como em outras partes da Europa, os procedimentos de receção e registo sejam adequados ao número de chegadas. Sem este elemento essencial, o programa de transferência acordado na Europa em setembro estará em sério perigo, podendo fracassar", afirmou Melissa Fleming, porta voz do ACNUR, num briefing com a imprensa, em Genebra.
O número total de chegadas por mar incluindo a Itália eleva-se agora a 643 milhares. Esta manhã, mais de 27.500 pessoas esperavam nas ilhas do Egeu pelo registo ou transporte para o continente.
Efetivos suplementares de polícia foram destacados no domingo e ontem (18 e 19 de outubro) para controlar a situação caótica que se criou quando sentimentos de frustração entre os refugiados e migrantes entraram em efervescência num centro de receção de Lesbos, o que levou à evacuação do pessoal do ACNUR e à suspensão temporária do processamento das entradas.
As fronteiras ao longo da rota dos Balcãs foram recentemente reabertas. Na fronteira da Sérvia com a Croácia, cerca de 3 mil pessoas tiveram de aguardar sem abrigo, à chuva, e com uma assistência mínima, durante dois dias. "O pessoal do ACNUR e organizações parceiras fizeram os possíveis para prestar ajuda de emergência, como alimentação, água e cobertores. De qualquer modo, muitas pessoas, incluindo idosos, mulheres grávidas e deficientes físicos, ficaram encurralados, sendo sinalizados casos de hipotermia", afirmou Melissa Fleming, sublinhando que cenas similares se verificaram também na fronteira entre a Croácia e a Eslovénia.
Embora as condições em alguns pontos de travessia de fronteiras continuem difíceis, o movimento recomeçou, com cerca de 4.300 pessoas a chegar ontem à Áustria, provenientes da Eslovénia. Entretanto, na Áustria e Alemanha, milhares de refugiados e migrantes dormem em tendas e abrigos temporários devido à escassez de alojamento.
19 pessoas morreram na travessia do Egeu durante os últimos 9 dias, em 5 naufrágios diferentes, metade deles durante o último fim de semana, incluindo crianças de tenra idade. De 1 de janeiro até 19 de outubro de 2015, morreram ou desapareceram 123 pessoas nas águas territoriais gregas. Globalmente, em todo o Mediterrâneo, no mesmo período, os mortos e desaparecidos somam 3.135.
"Estamos preocupados porque este número poderá aumentar devido à aproximação do inverno. O ACNUR apela ao reforço das operações de busca e salvamento nesta zona a fim de reduzir os riscos", declarou Melissa Fleming.
Para lidar com a situação atual, o ACNUR afirma que são necessárias diversas medidas. Estas incluem um forte apoio aos países de primeiro asilo e a todos os países com movimentos secundários, uma campanha de alerta sobre os perigos da travessia marítima e o desenvolvimento e implementação de vias legais de acesso para as pessoas que procuram proteção na Europa.
"Nos países europeus com movimentos secundários, devem ser desenvolvidos esforços visando uma sólida capacidade de receção e registo para que o programa de relocalização funcione", acrescentou Melissa Fleming.

 

 

DIVERSOS PROJECTOS DO CPR SÃO FINANCIADOS PELO FUNDO ASILO, MIGRAÇÃO E INTEGRAÇÃO (FAMI)

 

De acordo com as últimas estatísticas, o número de migrantes forçados em todo o mundo ultrapassa os 65 milhões e não pára de aumentar. O número de pessoas que buscam protecão no nosso país é de cerca de 870 por ano ou 87 pessoas por cada milhão de habitantes, um número bastante inferior à média europeia (2600 pedidos por milhão de habitantes na UE-28, em 2015). Há mais de um quarto de século que o CPR, sempre em colaboração com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), procura minimizar as consequências das deslocações forçadas, em particular das pessoas acolhidas em Portugal.