ACNUR alerta para a agudização da situação na Grécia
GENEBRA, 7 de setembro de 2015 (ACNUR/CPR) - Pelo menos 124.000 dos 225.000 refugiados e outros migrantes que chegaram de janeiro a julho de 2015 à Europa, pelo mar Mediterrâneo, desembarcaram na Grécia, principalmente nas ilhas de Lesbos, Kos, Quios, Samos e Lero. Este número, metade do total global de chegadas à UE durante este ano, representa para os gregos um incremento de mais de 750% face ao mesmo período de 2014. Só em julho, registaram-se 50.000 novas chegadas, 20.000 mais que o mês anterior (um aumento de quase 70%), e no mês de agosto, para o qual ainda não existem estatísticas fiáveis, a situação agravou-se ainda mais. Mais de 65% são sírios e há também muitos iraquianos - fogem da guerra e da barbárie extrema provocada pelo autoproclamado "Estado Islâmico". Quase todos pretendem seguir a rota, recentemente redescoberta, através dos Balcãs (ver infografia). A eles juntam-se refugiados e outros migrantes há muito tempo na Grécia.
"Há um caos total nas ilhas. Após alguns dias são transferidos para Atenas mas não há nada a esperar por eles em Atenas", afirmou Vincent Cochetel, diretor do ACNUR para a Europa O ACNUR está a participar nos esforços para atender a esta situação. Entre outros, incluem-se os serviços de interpretariado, apoio jurídico e ajuda de emergência. Como contribuição e com o objetivo de complementar a ação de muitos voluntários e ONGs nacionais e internacionais, o ACNUR está a prestar ajuda humanitária básica, como água, barras energéticas, sacos-cama e kits de higiene. A generosa resposta da sociedade civil grega, num contexto económico tão difícil, merece todo o apoio e reconhecimento. O ACNUR também proporciona, com a ajuda da ONG grega METAction, acompanhamento para a transferência de menores não acompanhados a partir das ilhas para instalações especializadas na península helénica. Em Lesbos, ilha com maior número de chegadas, o ACNUR providenciou três autocarros para transportar os refugiados dos pontos de chegada para os locais de registo em Mitilene, para que não tenham que percorrer a pé os 70 quilómetros de trajeto por caminhos que atravessam as montanhas, com a agravante das altas temperaturas que se estão a verificar.
É absolutamente urgente aumentar a capacidade de acolhimento da península grega para os requerentes de asilo e para os menores não acompanhados, que atualmente conta com 1.100 lugares. Em Atenas, entre 400 e 450 pessoas, incluindo famílias com crianças pequenas, estão a dormir ao relento no parque central de Pedion Tou Areos. As autoridades gregas estão a trabalhar para estabelecer um novo centro de receção com melhores instalações que cubram as crescentes necessidades humanitárias, estando o ACNUR, para o efeito, a proporcionar o apoio técnico.
O apoio que o ACNUR está a prestar é focalizado e tem uma duração limitada, já que a agência enfrenta numerosas crises e os seus programas sofrem graves carências de fundos. "A Grécia e a Europa têm que liderar a resposta a esta crise, que só pode resolver-se com uma maior solidariedade dentro e fora da UE", declarou Vincent Cochetel.

 

 

DIVERSOS PROJECTOS DO CPR SÃO FINANCIADOS PELO FUNDO ASILO, MIGRAÇÃO E INTEGRAÇÃO (FAMI)

 

De acordo com as últimas estatísticas, o número de migrantes forçados em todo o mundo ultrapassa os 65 milhões e não pára de aumentar. O número de pessoas que buscam protecão no nosso país é de cerca de 870 por ano ou 87 pessoas por cada milhão de habitantes, um número bastante inferior à média europeia (2600 pedidos por milhão de habitantes na UE-28, em 2015). Há mais de um quarto de século que o CPR, sempre em colaboração com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), procura minimizar as consequências das deslocações forçadas, em particular das pessoas acolhidas em Portugal.