António Guterres: "A Síria deixará de existir se não houver um Acordo de Paz"
NOVA IORQUE, 23 de dezembro de 2015 (ACNUR) - Se a guerra na Síria não terminar rapidamente, o país poderá deixar de existir, advertiu António Guterres, Alto Comis­sário das Nações Unidas para os Refugiados no Conselho de Segurança da ONU, esta segunda-feira, dia 21. O Alto Comissário reiterou a esperança de que as conversações para a paz na Síria a decorrer em Viena sejam "uma etapa decisiva para a paz, fazendo com que ela seja posta como prioridade número um na agenda internacional."
Guterres, que deixará o ACNUR no próximo dia 31, depois de 10 anos a chefiar a organização, acrescentou "No momento de uma larga tomada de consciência no seio da comunidade internacional sobre as complexidades históricas que geraram a situação no Médio Oriente, as divisões sectárias de hoje não podem degenerar em guerras religiosas que destruíram grande parte da Europa nos séculos XVI e XVII. As lições da história mostram que a paz não pode esperar. O mundo tem necessidade de intensificar os esforços diplomáticos para a paz".
Os cinco anos de conflito na Síria deslocaram mais de 11 milhões de pessoas, incluindo 3,3 milhões de refugiados acolhidos nos países da região - Jordânia, Líbano e Turquia. Este ano, a perseguição, conflitos e pobreza fizeram com que um número sem precedentes - cerca de um milhão de pessoas - procurassem proteção na Europa, metade dos quais são sírios.
Reportagem da RTP sobre a reunião do Conselho de Segurança
Segundo um estudo recente do ACNUR e do Banco Mundial, nove em cada dez sírios alojados no Líbano e na Jordânia vivem abaixo do limiar da pobreza calculado para cada um dos respetivos países. António Guterres apelou para que haja um investimento maciço que beneficie os países de acolhimento. Necessitamos de uma 'nova colaboração' entre a comunidade internacional - a Europa em particular - e os países vizinhos da Síria. Torna-se claro que sem escolas para as crianças, sem acesso ao mercado de trabalho, nem proteção contra a pobreza, um número crescente de sírios optará pela única escolha que lhes resta: procurar outros países", acrescentou.
António Guterres sublinhou que mesmo com o recente aumento das contribuições financeiras desencadeado pelo afluxo de refugiados à Europa, o Plano para o Asilo e Resiliência ("3RP", na sigla internacional) foi financiado apenas em 52%.
"São necessários investimentos massivos para apoiar o Líbano, a Jordânia e a Turquia para evitar que os refugiados caiam na miséria e suster a pressão crescente sobre as infraestruturas públicas da saúde, educação, água, eletricidade e outras"
O Alto Comissário diz ter esperança que a conferência de doadores que irá decorrer em fevereiro, em Londres, seja capaz de mobilizar apoio para as vastas necessidades humanitárias da região e também para uma abordagem de longo prazo que combinem a autossuficiência dos refugiados com a solidariedade internacional e a partilha de responsabilidades com os países e comunidades de acolhimento.

 

 

 

DIVERSOS PROJECTOS DO CPR SÃO FINANCIADOS PELO FUNDO ASILO, MIGRAÇÃO E INTEGRAÇÃO (FAMI)

 

De acordo com as últimas estatísticas, o número de migrantes forçados em todo o mundo ultrapassa os 65 milhões e não pára de aumentar. O número de pessoas que buscam protecão no nosso país é de cerca de 870 por ano ou 87 pessoas por cada milhão de habitantes, um número bastante inferior à média europeia (2600 pedidos por milhão de habitantes na UE-28, em 2015). Há mais de um quarto de século que o CPR, sempre em colaboração com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), procura minimizar as consequências das deslocações forçadas, em particular das pessoas acolhidas em Portugal.