Inclusão pelo palato...

SÃO PAULO, 25 de junho de 2018 (ACNUR) – Forçada a fugir da violência que tomou conta da Síria, Joanna Ibrahim chegou ao Brasil em 2015. Com um pai cabeleireiro, um irmão chef de cozinha e um tio gerente de restaurante, empreendedorismo não é algo desconhecido para Joanna. È ela que está na origem do projeto Open Taste, onde pessoas refugiadas podem divulgar os seus negócios, vender os seus produtos e, ao mesmo tempo, partilhar a sua cultura com os paulistas através da gastronomia.

Todas as semanas, um refugiado é convidado a preparar e servir comidas típicas do seu país no Open Taste, no bairro de Pinheiros, São Paulo.

“Nós não queremos só mostrar comida, mas também a cultura das pessoas”, diz Joanna, que aliou a curiosidade do brasileiro sobre histórias de refugiados a um espaço que propicia esta troca cultural. “O cliente quer saber de onde veio a comida, de onde veio a pessoa e qual é a história dela. Queremos ajudar a contar essa história”, afirma Joanna, que também ajuda os demais refugiados servindo os clientes do restaurante. Ela também já preparou comida síria e partilhou as iguarias com o público brasileiro.

“Uma coisa que eu gosto muito aqui no Brasil, em São Paulo, onde moro, é que as pessoas gostam de descobrir a cultura dos outros. É por isso que o negócio da comida está dando certo, porque as pessoas gostam de novos sabores trazidos por diferentes culturas.”

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LISBOA, 25 de junho de 2018 (ACNUR/CPR) - Para a Fátima e os filhos, o Mezze vem perpetuar a tradição familiar lançada pelo seu pai em Damas, Síria. O restaurante permitir-lhes serem financeiramente independentes no país onde começam já a sentir-se em casa e os seus deliciosos pratos caseiros fazem os alfacinhas sentir um gostinho da Síria.

Em 2012, um ano após o início do conflito, Fátima e a sua prole tiveram que fugir após confrontos entre as forças de segurança sírias e a oposição. Refugiaram-se no campo de Yarmouk, na esperança de que a segurança voltasse e pudessem regressar a casa. Mas todas as suas esperanças se desmoronaram no dia em que o pai foi verificar se a sua casa tinha sido destruída. O seu corpo foi encontrado mais tarde, num prédio próximo, com outros 149 cadáveres. Destroçados com a perda, Fátima e os seus quatro filhos decidiram deixar a Síria. Depois de dormirem na rua durante duas semanas, chegam finalmente ao Egipto, onde sobreviveram durante meses com cupões de alimentos e donativos de instituições de caridade locais. Mas em 2013 as tensões políticas no Egipto levaram a uma atitude mais dura em relação aos sírios. O ACNUR inclui, então, a família no Programa de Reinstalação de Refugiados e é assim que chegam a Portugal.

Em maio de 2017, inauguraram o Mezze, no Mercado de Arroios, em Lisboa. O sucesso é tão grande que já pensam abrir outro no Porto…

“Percebemos que os portugueses gostam verdadeiramente da nossa cozinha, porque ela é cheia de aromas e especiarias” disse Fátima, enquanto terminava os preparativos para o almoço. “É assim que nos comunicamos a partir de agora. Continuamos a cozinhar e eles vêm à descoberta de coisas novas.“

 

DIVERSOS PROJECTOS DO CPR SÃO FINANCIADOS PELO FUNDO ASILO, MIGRAÇÃO E INTEGRAÇÃO (FAMI)

 

De acordo com as últimas estatísticas, o número de migrantes forçados em todo o mundo ultrapassa os 65 milhões e não pára de aumentar. O número de pessoas que buscam protecão no nosso país é de cerca de 870 por ano ou 87 pessoas por cada milhão de habitantes, um número bastante inferior à média europeia (2600 pedidos por milhão de habitantes na UE-28, em 2015). Há mais de um quarto de século que o CPR, sempre em colaboração com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), procura minimizar as consequências das deslocações forçadas, em particular das pessoas acolhidas em Portugal.