Intensifica-se o fluxo de refugiados e outros migrantes em direção à Europa
GENEBRA, 25 de agosto de 2015 (ACNUR/CPR) - O ACNUR e organizações parceiras estão a prestar todo o apoio possível
aos refugiados e outros migrantes ao longo da rota seguida principalmente por sírios e afegãos que fogem para as ilhas gregas a escassos quilómetros da costa turca e tentam depois, sempre por terra, atravessando a Grécia, a Macedónia, a Sérvia e a Hungria, alcançar a Alemanha e outros países europeus onde têm familiares ou onde existem comunidades significativas com afinidades linguísticas e culturais. O movimento nessa rota intensificou-se nos últimos dias, com milhares de pessoas, incluindo muitas mulheres e crianças, a forçar as barreiras policiais e de arame farpado. Entretanto, a Marinha de Guerra Italiana tinha, no passado sábado, batido o recorde diário de salvamentos no Mediterrâneo: 4.400 resgates de 22 embarcações em dificuldades.
Na fronteira da Grécia com a Macedónia (ex-RFJ) regista-se agora alguma calma depois do cenário com contornos caóticos do fim de semana. As pessoas estão agora a atravessar a fronteira em grupos de 300 a 400 para embarcarem em autocarros e no comboio que os levarão até território sérvio.
Na Sérvia, o ACNUR está a trabalhar em estreita colaboração com as autoridades para atender às necessidades de mais de 10.000 refugiados e outros migrantes. "Atualmente, estimamos que as chegadas continuarão nos próximos dias a um ritmo de 3.000 pessoas por dia", afirmou Melissa Fleming, porta-voz do ACNUR, num briefing com a imprensa em Genebra.
Acrescentou que o ACNUR está especialmente preocupado com as condições em que se encontram estas pessoas, muitas das quais provenientes de países com conflitos em curso, como a Síria e o Afeganistão.
"Elas estão fisicamente exaustas e psicologicamente traumatizadas, com necessidade de assistência humanitária e médica, especialmente as mais vulneráveis - pessoas doentes, mulheres grávidas e idosos. Torna-se imperativo que estas pessoas sejam humanamente tratadas e tenham a assistência fundamental garantida", afirmou Melissa, acrescentando, "Embora compreendendo as preocupações legítimas dos países da região devido ao aumento dos requerentes de asilo e ouros migrantes, o ACNUR apela às autoridades para gerirem as suas fronteiras com humanidade e de acordo com as suas obrigações internacionais. A unidade da família e a proteção de pessoas com necessidades específicas devem estar asseguradas".
De uma forma mais abrangente, o ACNUR está preocupado com a sustentabilidade desta situação. O ACNUR reitera que é evidente que o problema não pode ser resolvido isoladamente por cada país, tornando-se imperativa uma resposta europeia baseada na solidariedade e na repartição equitativa dos encargos com a proteção internacional.

 

 

DIVERSOS PROJECTOS DO CPR SÃO FINANCIADOS PELO FUNDO ASILO, MIGRAÇÃO E INTEGRAÇÃO (FAMI)

 

De acordo com as últimas estatísticas, o número de migrantes forçados em todo o mundo ultrapassa os 65 milhões e não pára de aumentar. O número de pessoas que buscam protecão no nosso país é de cerca de 870 por ano ou 87 pessoas por cada milhão de habitantes, um número bastante inferior à média europeia (2600 pedidos por milhão de habitantes na UE-28, em 2015). Há mais de um quarto de século que o CPR, sempre em colaboração com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), procura minimizar as consequências das deslocações forçadas, em particular das pessoas acolhidas em Portugal.