Presidente da República no XIII Congresso do CPR

LISBOA, 8 de novembro de 2018 (LUSA) - Marcelo Rebelo de Sousa manifestou-se emocionado depois de ouvir os "testemunhos heroicos" de Ilda Viviane, de Farid, de Vimbayi e de Mohamed, naturais, respetivamente, da República Democrática do Congo, do Afeganistão, do Zimbabué e da Síria, no 13.º Congresso Internacional do Conselho Português para os Refugiados, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

O chefe de Estado apontou esta iniciativa como "dos bons momentos da política" e referiu que iria seguir dali imediatamente para o encerramento da "cimeira do digital" Web Summit, declarando: "Estão lá os grandes patrões das grandes empresas multinacionais, estão lá os líderes da ciência e da tecnologia, estão lá alguns dos que mandam no mundo ou por lá passaram, alguns que são influentes no mundo da economia e dos negócios".

"Lá estão os jovens que com as suas 'start-ups' estão a arrancar. E, portanto, é o mundo, como se diz agora, do 'glamour'. Da festa, da inovação, da criatividade, do futuro, das boas notícias, da mudança virada para o futuro", descreveu.

Perante uma plateia composta por refugiados e alunos de escolas da região de Lisboa, acrescentou: "E, no entanto, as sociedades são feitas de pessoas de carne e osso. De que servem essas tecnologias se não servirem as pessoas de carne e osso? Sim, de que servem? São muito importantes, se servirem. São pouco importantes, se não servirem".

"Se aquilo que lá se discute, se aquilo que lá se viu, se aquilo que lá muda no mundo da Internet, das novas tecnologias servir para fazer o bem, vale a pena. Se servir para fazer o mal, se servir para fazer as guerras, se servir para promover as injustiças, as perseguições, é negativo. Não basta dizer: que bom o avanço da tecnologia. É preciso perguntar: ao serviço de quem, de quê, de que valores?", completou.

Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que, se for ao serviço "de valores como estes", do acolhimento de refugiados, "então vale a pena".

O Presidente da República incentivou os jovens na assistência a lutarem contra os "movimentos xenófobos, racistas e de fechamento das sociedades" que, no seu entender, parecem ser "a onda claramente dominante na Europa", e criticou as ações unilaterais à revelia dos acordos internacionais.

"Vou falar disto na Web Summit, daqui a bocadinho, que é um sítio improvável para falar disto, mas é nos sítios improváveis que se deve falar", prometeu.

No início do seu discurso, Marcelo Rebelo de Sousa elogiou a presidente da direção do Conselho Português para os Refugiados, Teresa Tito de Morais, e perante a notícia de que se vai reformar, pediu-lhe que "marque um dia entre o fim do ano e o começo do ano para a condecorar com a Ordem do Mérito por 27 anos de serviço à comunidade".

Depois, o Presidente falou diretamente para cada um dos quatro refugiados que hoje contaram a sua história e salientou que o sírio Mohamed "já vai em dois filhos em Portugal - dois anos, dois filhos".

"Quando se fala, e bem, da importância destes contributos para um país com estes problemas demográficos, nós não imaginávamos um contributo tão rápido e tão eficiente como o deste casal. E ainda tem tempo para os sapatos e a mulher para a gastronomia", observou, fazendo rir a assistência.

O chefe de Estado considerou que "estes são heróis quotidianos" e aconselhou os jovens a compararem os seus problemas com os dos refugiados: "Comparem. Às vezes vale a pena comparar, para ter a noção da distância e da relatividade das coisas. O vosso maior problema é nada comparado com o mais pequeno dos problemas deles".

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DIVERSOS PROJECTOS DO CPR SÃO FINANCIADOS PELO FUNDO ASILO, MIGRAÇÃO E INTEGRAÇÃO (FAMI)

 

De acordo com as últimas estatísticas, o número de migrantes forçados em todo o mundo ultrapassa os 65 milhões e não pára de aumentar. O número de pessoas que buscam protecão no nosso país é de cerca de 870 por ano ou 87 pessoas por cada milhão de habitantes, um número bastante inferior à média europeia (2600 pedidos por milhão de habitantes na UE-28, em 2015). Há mais de um quarto de século que o CPR, sempre em colaboração com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), procura minimizar as consequências das deslocações forçadas, em particular das pessoas acolhidas em Portugal.