Grandi: "A tragédia do Mediterrâneo não pode continuar"

GENEBRA, 22 de janeiro de 2019 (ACNUR) – O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) lamenta profundamente as notícias recentes sobre a morte ou desaparecimento de cerca de 170 pessoas em dois naufrágios distintos no Mar Mediterrâneo. Cerca de 53 pessoas morreram no mar de Alboran, oeste do Mediterrâneo, segundo informações recentes de ONGs.

O único sobrevivente deste incidente teria sido resgatado por uma embarcação de pesca que passava no local. Esse sobrevivente, tendo permanecido na água mais de 24 horas, está a receber tratamento médico em Marrocos. Os serviços de resgate marroquinos e espanhóis estiveram a tentar localizar o barco e os sobreviventes durante vários dias sem sucesso. Por seu turno, a Marinha italiana também relata outro naufrágio no Mediterrâneo Central. Há três sobreviventes que foram transferidos para Lampedusa, onde recebem assistência médica. Os sobreviventes relataram que 117 pessoas estavam a viajar com eles no mesmo barco, provenientes da Líbia, estando atualmente mortos ou desaparecidos.

O ACNUR não conseguiu verificar de forma independente o número de mortos em ambos os navios naufragados.

"A tragédia do Mediterrâneo não pode continuar", disse Filippo Grandi, Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados. "Nós não podemos fechar os olhos para o grande número de pessoas que morrem às portas da Europa. Nenhum esforço deve ser poupado para salvar vidas em perigo no mar."

Em 2018, 2262 pessoas perderam a vida ao tentarem chegar à Europa através do Mediterrâneo. O ACNUR está preocupado com o facto da actuação dos Estados estarem a desencorajar cada vez mais as ONGs na realização de operações de busca e salvamento.

Simultaneamente, são necessários maiores esforços para impedir que os refugiados e os imigrantes empreendam essas viagens desesperadas em primeiro lugar. São necessárias formas mais legais e seguras de acesso ao asilo na Europa para as pessoas que fogem da guerra e da perseguição, para que ninguém seja forçado a colocar as suas vidas nas mãos de redes de tráfico e traficantes sem escrúpulos.

Teresa Tito Morais: "Contra a crescente apatia face ao drama do Mediterrâneo"

 

DIVERSOS PROJECTOS DO CPR SÃO FINANCIADOS PELO FUNDO ASILO, MIGRAÇÃO E INTEGRAÇÃO (FAMI)

 

De acordo com as últimas estatísticas, o número de migrantes forçados em todo o mundo ultrapassa os 65 milhões e não pára de aumentar. O número de pessoas que buscam protecão no nosso país é de cerca de 870 por ano ou 87 pessoas por cada milhão de habitantes, um número bastante inferior à média europeia (2600 pedidos por milhão de habitantes na UE-28, em 2015). Há mais de um quarto de século que o CPR, sempre em colaboração com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), procura minimizar as consequências das deslocações forçadas, em particular das pessoas acolhidas em Portugal.