Primeiro voo com refugiados reinstalados chega a Lisboa
LISBOA, 7 de novembro de 2014 (CPR/LUSA) - Chegou hoje ao nosso país o primeiro voo com 22 refugiados. Um segundo voo com 22 pessoas foi cancelado devido à greve da Lufthansa, estando prevista a sua chegada para este domingo.
Os refugiados foram encaminhados para um auditório, ao qual os jornalistas não tiveram acesso, tendo-lhes sido das as boas vindas pela ministra da Cultura, Igualdade e Cidadania, Teresa Morais, que estava acompanhada por representantes das três entidades parceiras nesta ação - Conselho Português para os Refugiados, Fundação Assistência, Desenvolvimento e Formação Profissional de Miranda do Corvo e o Serviço Jesuíta aos Refugiados.
Três das cinco famílias que vieram hoje do Cairo no âmbito do Programa Nacional de Reinstalação foram acolhidas em Penela, uma em Sintra e outra em Lisboa. Três das cinco famílias que vieram hoje do Cairo no âmbito do Programa Nacional de Reinstalação foram acolhidas em Penela, uma em Sintra e outra em Lisboa. A cargo do CPR ficará a família acolhida na região de Sintra.
Fouad Nameed, sírio, de Aleppo, patriarca de uma das famílias, mostrou-se disponível para falar com os jornalistas, à chegada a Penela, afirmando já tinha uma "boa ideia" de Portugal, das suas paisagens, "das suas equipas de futebol" e das suas cidades.
"A vida é segura", foi o que sentiu assim que chegou a Portugal, apontou, classificando a guerra civil síria com um único adjetivo: "horrível".
"Quero poder viver pacificamente com este bom povo", frisou o antigo gerente de um centro comercial de Alepo, acrescentando que não está otimista quanto a um regresso ao seu país. Os refugiados beneficiam do estatuto de refugiado e terão direito a autorização de residência por um período de 5 anos, renovável.
Os programas de acolhimento e de integração terão uma duração de dez meses após o que, em caso de insuficiência económica, continuarão a ser apoiados em condições idênticas às dos cidadãos nacionais.
Este grupo de refugiados integra-se no Programa de Reinstalação de Refugiados do ACNUR em que Portugal, desde 2007, se compromete a receber um mínimo anual de 30 refugiados.

 

 

 

DIVERSOS PROJECTOS DO CPR SÃO FINANCIADOS PELO FUNDO ASILO, MIGRAÇÃO E INTEGRAÇÃO (FAMI)

 

De acordo com as últimas estatísticas, o número de migrantes forçados em todo o mundo ultrapassa os 65 milhões e não pára de aumentar. O número de pessoas que buscam protecão no nosso país é de cerca de 870 por ano ou 87 pessoas por cada milhão de habitantes, um número bastante inferior à média europeia (2600 pedidos por milhão de habitantes na UE-28, em 2015). Há mais de um quarto de século que o CPR, sempre em colaboração com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), procura minimizar as consequências das deslocações forçadas, em particular das pessoas acolhidas em Portugal.