RefugiActo: 10 anos!
LISBOA, 29 de dezembro de 2014 (CPR) - Foi no âmbito do
ensino-apren­di­zagem da língua portuguesa no CPR que surgiu, em 2004, o gru­po de teatro ama­dor RefugiActo, por onde têm passado muitas pessoas, oriun­das de 14 diferentes países, que gostam de fazer teatro.
Queridos refugiAct@s,
Festejamos os 10 anos do RefugiActo. Celebramos 10 anos de muita, muita partilha.
Eu penso que cada um de nós procura dar um sentido à sua vida e a última década da minha está intimamente ligada a este projeto.
A utopia de um mundo melhor sempre me habitou. Levou-me a diferentes caminhos e, profissionalmente, ao ensino da língua a refugiados.
Os refugiados são vítimas do ódio, da ganância, da intolerância, dos preconceitos, dos conflitos, da guerra, do desconcerto do mundo.
Eu não consigo ficar indiferente. Procuro comunicar e intervir. Há muitas formas de intervenção. E eu encontrei estas: o ensino da língua portuguesa e o teatro. O ensino da língua e o teatro entrecruzam-se nesse meu desejo de transformação social.
Sei que o dinheiro e os interesses de muito poucos alimentam guerras e conflitos. Mas tenho a convicção que a ignorância e o medo estão na base de muitas atrocidades. Tudo seria diferente se nos conhecêssemos melhor.
Procuro que nas aulas de português todos possamos aprender a aprender. Até porque o desenvolvimento das competências comunicativas vai muito para além de conhecer regras gramaticais, envolve outras dimensões: a consciência sociocultural, as relações afetivas, a experiência imaginativa…
E é aí que o teatro me encanta. Por favorecer o conhecimento do eu e do outro, e do mundo. Por ser um meio pacífico de transformação e de luta por um mundo melhor.
Um grande beijinho,
VIVA O REFUGIACTO!!!
 
 
  

 

DIVERSOS PROJECTOS DO CPR SÃO FINANCIADOS PELO FUNDO ASILO, MIGRAÇÃO E INTEGRAÇÃO (FAMI)

 

De acordo com as últimas estatísticas, o número de migrantes forçados em todo o mundo ultrapassa os 65 milhões e não pára de aumentar. O número de pessoas que buscam protecão no nosso país é de cerca de 870 por ano ou 87 pessoas por cada milhão de habitantes, um número bastante inferior à média europeia (2600 pedidos por milhão de habitantes na UE-28, em 2015). Há mais de um quarto de século que o CPR, sempre em colaboração com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), procura minimizar as consequências das deslocações forçadas, em particular das pessoas acolhidas em Portugal.