Síria: Negociações de paz suspensas. Até quando o sofrimento do povo sírio?

GENEBRA, 3 de fevereiro de 2016 (ACNUR/CPR) - As negociações de paz mediadas pela ONU que estavam a decorrer em Genebra há apenas dois dias foram suspensas e deverão ser retomadas a 25 de fevereiro. Staffan de Mistura, enviado especial da ONU para a paz na Síria, em conferência de imprensa desta quarta-feira, esclareceu que ainda antes do envio dos convites para as negociações, tinha pedido que se avançasse de imediato com uma iniciativa humanitária.
Em causa estão questões tais como a criação de condições para que a ajuda humanitária possa
Por cada hora que se desperdice, até se chegar a um acordo, mais 50 famílias sírias terão que abandonar os seus lares
chegar a diversos locais sitiados, atualmente completamente inacessíveis.
"Foi-me assegurado que haveria iniciativas nesse sentido durante as negociações, mas agora o Governo diz que teve alguns problemas processuais que dificultam falar sobre o lado humanitário. Da parte da oposição tenho ouvido que é urgente fazer chegar a ajuda ao povo sírio", disse Mistura.
O enviado especial realçou que suspensão é apenas "uma pausa temporária" e não o fim ou o fracasso das conversações, notando que ambos os lados insistem que estão interessados em manter um processo político.
Staffan de Mistura deixou claro, desde o início, que não tem ilusões sobre as dificuldades em terminar uma guerra que já matou mais de 250 mil pessoas, criou mais de quatro milhões de refugiados e 6,5 milhões de deslocados internos. No interior do país, estima-se que 13,5 milhões de pessoas têm necessidade urgente de ajuda humanitária.
De acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, a ONG próxima da oposição que tenta contabilizar as vítimas do conflito, mais de mil civis morreram com bombardeamentos russos desde que Vladimir Putin decidiu entrar diretamente no conflito, no fim de setembro do ano passado.

 

 

 

DIVERSOS PROJECTOS DO CPR SÃO FINANCIADOS PELO FUNDO ASILO, MIGRAÇÃO E INTEGRAÇÃO (FAMI)

 

De acordo com as últimas estatísticas, o número de migrantes forçados em todo o mundo ultrapassa os 65 milhões e não pára de aumentar. O número de pessoas que buscam protecão no nosso país é de cerca de 870 por ano ou 87 pessoas por cada milhão de habitantes, um número bastante inferior à média europeia (2600 pedidos por milhão de habitantes na UE-28, em 2015). Há mais de um quarto de século que o CPR, sempre em colaboração com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), procura minimizar as consequências das deslocações forçadas, em particular das pessoas acolhidas em Portugal.