Apelo urgente para o fim do sofrimento sírio

GENEBRA, 30 de janeiro de 2016 (ACNUR/CPR) - Começaram esta sexta-feira, dia 29, as negociações de paz. De acordo com a resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas, deverá tratar-se de um processo político liderado pela Síria, com mediação da ONU, com vista a estabelecer, dentro de seis meses, "uma governação credível, inclusiva e não-sectária", definin­do-se um cronograma para a elaboração de uma nova Constituição, com eleições livres e justas a serem realizadas no prazo de 18 meses, sob a supervisão da ONU. Todos os sírios, incluindo os membros da diáspora, deverão ter direito ao voto.
Entre outras disposições, o texto da Resolução reconheceu a estreita ligação entre um cessar-fogo e um processo político paralelo, com o primeiro a entrar em vigor assim que as partes deem os passos iniciais rumo a uma transição política sob os auspícios da ONU. Nesse sentido, as agências humanitárias fazem um apelo urgente para que, até que se encontre uma solução diplomática para o conflito, haja paz humanitária, com um cessar-fogo incondicional e monitorizado, que permita que seja assegurado o acesso a bens alimentares e outra assistência urgente, incluindo a vacinação e outras campanhas de saúde e, ainda, o regresso das crianças à escola.
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“A Síria é provavelmente a nação mais perigosa do mundo para as crianças”, afirmou Hanna Singer, representante da UNICEF para a Síria, lembrando que, há poucos meses, 19 jovens foram mortos numa área de recreio, em Homs. Na mesma semana, seis crianças morreram quando um morteiro atingiu uma zona de segurança, mantida com apoio da UNICEF, em Aleppo. O sistema educacional sírio perdeu mais de 50 mil professores que fugiram do país ou foram mortos. Mais de 2 milhões de jovens em idade escolar não frequentam instituições de ensino. “Para um país em que a taxa de escolaridade era estimada em 90% antes do conflito, a Síria perdeu duas décadas de desenvolvimento educacional”.
A situação da assistência médica na Síria também é precária. De acordo com o representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o país, Elisabeth Hoff, 50% dos profissionais de saúde
Por cada hora que se desperdice, até se chegar a um acordo, mais 50 famílias sírias terão que abandonar os seus lares
fugiram do país e 60% dos hospitais públicos foram destruídos, fechados ou a funcionar parcialmente. Faltam medicamentos e materiais cirúrgicos e os militares apreendem frequentemente seringas e comprimidos de hidratação. Em abrigos para pessoas internamente deslocadas, entre 60 e 70 pessoas são forçadas a partilhar um único vaso sanitário, o que aumenta o risco de doenças infecciosas.
No passado dia 21 de janeiro, Filippo Grandi, Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, esteve em Damasco e encontrou-se com o Ministro dos Negócios Estrangeiros e o Ministro da Administração Interna da Síria, procurando garantir o acesso humanitário a todo o território, principalmente nas zonas sitiadas.
“Por cada hora que se desperdice, até se chegar a um acordo [de cessar-fogo], mais 50 famílias sírias terão que abandonar os seus lares”, afirmou o secretário-geral do Conselho Norueguês para os Refugiados e ex-chefe do Gabinete das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), Jan Egeland.

 

 

 

DIVERSOS PROJECTOS DO CPR SÃO FINANCIADOS PELO FUNDO ASILO, MIGRAÇÃO E INTEGRAÇÃO (FAMI)

 

De acordo com as últimas estatísticas, o número de migrantes forçados em todo o mundo ultrapassa os 65 milhões e não pára de aumentar. O número de pessoas que buscam protecão no nosso país é de cerca de 870 por ano ou 87 pessoas por cada milhão de habitantes, um número bastante inferior à média europeia (2600 pedidos por milhão de habitantes na UE-28, em 2015). Há mais de um quarto de século que o CPR, sempre em colaboração com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), procura minimizar as consequências das deslocações forçadas, em particular das pessoas acolhidas em Portugal.