Deslocados sírios: inverno aproxima-se, fundos diminuem.

LISBOA, 18 de setembro de 2018 (ACNUR/CPR) - Enquanto se prepara para outro inverno longe de casa, Radwan, refugiado sírio, enfrenta o desafio imediato de manter a sua família protegida da chuva. “O inverno é muito duro aqui. Sempre que chove, as nossas casas ficam inundadas”, afirma.

Depois de suportar a guerra e o desenraizamento, Radwan e milhões de sírios na mesma situação enfrentam dificuldades cada vez maiores, dado que os déficits de financiamento ameaçam o trabalho vital de assistência do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) e seus parceiros.

No total, há mais de 5,6 milhões de refugiados sírios registados na região - dos quais 2,6 milhões são crianças – forçados a abandonar a suas casas por um conflito que já está no seu oitavo ano. As necessidades das famílias são imensas. Na ausência de apoio, as pessoas valem-se de medidas desesperadas, como falta de abrigo adequado, assistência médica ou educação.

Além do financiamento para os refugiados (por definição, deslocados que se encontram fora do seu país), o ACNUR está a solicitar 73 milhões de dólares para acudir às necessidades mais sérias e urgentes dos deslocados internos sírios. Centenas de milhares de pessoas foram desenraizadas desde o início deste ano e muitas delas dependem agora da ajuda humanitária para satisfazer as suas necessidades mais básicas.

"Os nossos filhos precisam de cuidados de saúde, remédios, leite, mas não podemos proporcionar-lhes isso."

Este financiamento adicional permitiria ao ACNUR desenvolver rapidamente as suas atividades em todos os sectores-chave, como a proteção, o abrigo e a prestação de assistência essencial, ajudando assim 1,8 milhões de pessoas.

Parte dos fundos urgentemente necessários tanto dentro da Síria como nos países vizinhos serão destinados à preparação da assistência de inverno para garantir que as famílias vulneráveis, como a de Radwan, recebam apoio suficiente bem antes do inverno chegar. De acordo com nossas estimativas, 1,3 milhões de refugiados vulneráveis precisam urgentemente de apoio essencial no inverno cujos custos montam a 96 milhões de USD.

De um total geral de 270 milhões de USD, 44 milhões são necessários para evitar a interrupção dos benefícios em dinheiro em novembro.

Qualquer cessação dessa assistência teria consequências devastadoras, especialmente para famílias de refugiados no Líbano e na Jordânia, onde, respetivamente, cerca de 68% e 85% por cento das famílias vivem abaixo da linha da pobreza. Além de manter o acesso a serviços essenciais como cuidados e saúde, esses fundos permitiriam que mais de 456 mil refugiados continuassem a pagar o aluguer e suprissem as suas necessidades diárias.

Graças ao apoio de doadores dos setores público e privado, o ACNUR tem sido até agora capaz de fornecer uma resposta humanitária ininterrupta. A rápida disponibilização de fundos referentes a promessas e compromissos já assumidos no passado pelos doadores, assim como o financiamento adicional agora solicitado, torna-se essencial para administrar uma resposta desta escala, de forma flexível e oportuna no futuro.

 

DIVERSOS PROJECTOS DO CPR SÃO FINANCIADOS PELO FUNDO ASILO, MIGRAÇÃO E INTEGRAÇÃO (FAMI)

 

De acordo com as últimas estatísticas, o número de migrantes forçados em todo o mundo ultrapassa os 65 milhões e não pára de aumentar. O número de pessoas que buscam protecão no nosso país é de cerca de 870 por ano ou 87 pessoas por cada milhão de habitantes, um número bastante inferior à média europeia (2600 pedidos por milhão de habitantes na UE-28, em 2015). Há mais de um quarto de século que o CPR, sempre em colaboração com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), procura minimizar as consequências das deslocações forçadas, em particular das pessoas acolhidas em Portugal.