Os refugiados são vítimas do mesmo terror
LISBOA, 16 de novembro de 2015 (TSF/CPR) - A Presidente do CPR, Teresa Tito de Morais, questionada hoje pela TSF, afirmou que os refugiados são as principais vítimas do Daesh/EI, merecendo também a maior solidariedade e devendo-lhes ser assegurada a proteção inter­nacional.
Não se pode confundir terroristas com refugiados: "Os refugiados fogem, precisamente, do terror e necessitam de proteção".
O CPR defende, claro, que as entradas na UE sejam controladas e a melhor forma de o fazer seria através dos programas de reinstalação e dos vistos humanitários. "Passar por tantas provações para chegar a um país que lhes dê proteção é um drama enorme. Os Estados têm a obrigação de responder ao apelo das pessoas que necessitam de proteção".
Não é por, junto de um dos terroristas que se fez explodir, se ter encontrado um passaporte sírio falso, tendo alegadamente o seu portador feito a Rota dos Balcãs, que podemos olhar para os refugiados com suspeição. Para além desses factos nem sequer estarem provados, nunca poderíamos generalizar - seria o mesmo que concluir que os portugueses seriam potenciais terroristas porque um deles era filho de mãe portuguesa... "Tudo isto tem que ser devidamente desmistificado, desde logo junto das escolas".
A comunidade internacional tem a obrigação de proteger os sírios em fuga, respeitando-se, obviamente, as necessidades de segurança de quem acolhe. Têm de existir políticas de receção e acolhimento que levem à correta integração destas pessoas.
A curta entrevista, introdutória do Fórum da TSF, terminou com uma pergunta do jornalista relacionada com a posição do governo polaco em fechar as portas aos refugiados. Teresa Tito de Morais respondeu: "Não sei se esses países que erguem muros e colocam arames farpados ficarão mais protegidos que os outros que defendem a liberdade, os direitos humanos e uma política de solidariedade europeia".

 

 

 

DIVERSOS PROJECTOS DO CPR SÃO FINANCIADOS PELO FUNDO ASILO, MIGRAÇÃO E INTEGRAÇÃO (FAMI)

 

De acordo com as últimas estatísticas, o número de migrantes forçados em todo o mundo ultrapassa os 65 milhões e não pára de aumentar. O número de pessoas que buscam protecão no nosso país é de cerca de 870 por ano ou 87 pessoas por cada milhão de habitantes, um número bastante inferior à média europeia (2600 pedidos por milhão de habitantes na UE-28, em 2015). Há mais de um quarto de século que o CPR, sempre em colaboração com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), procura minimizar as consequências das deslocações forçadas, em particular das pessoas acolhidas em Portugal.