Universidade de Coimbra distingue Guterres com título honoris causa

LISBOA, 29 de abril de 2016 (LUSA/CPR) - A atribuição do grau de 'doutor honoris causa' ao anterior Alto-Comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) foi aprovada pelo Senado da UC, na sequência de proposta apresentada pela Faculdade de Economia, em novembro de 2015, disse hoje à agência Lusa fonte da reitoria da Universidade.

Teresa Tito de Morais, do Conselho Português para os Refugiados (CPR), será apresentante (ou madrinha) do homenageado, estando o elogio do doutorando a cargo de José Reis, catedrático e anterior diretor da Faculdade de Economia de Coimbra, sendo o elogio da apresentante feito por José Manuel Pureza, catedrático daquela faculdade e vice-presidente da Assembleia da República.

Apesar de ter nascido em Lisboa, passou grande parte da sua infância na pequena aldeia de Donas, Fundão. Segundo o próprio, isso tornou o seu "imaginário rural muito mais forte que o urbano; mas também muito mais ligado à terra, à realidade." Essa ligação à realidade, por vezes dura e distante da sua própria realidade familiar, marca-o profundamente e leva-o a envolver-se, ainda jovem, no Centro de Ação Social Universitário em Lisboa - e aí tomar contacto com a miséria do bairro da Curraleira e da Quinta da Alçada.

Em 20 de Setembro de 1991 António Guterres foi um dos sócios-fundadores do CPR , sendo Teresa Tito de Morais eleita Presidente da Direção, cargo que mantém até à presente data. Estas experiências constituem uma espécie de antecâmara para o contacto posterior e intenso com a dura realidade dos refugiados com que passa a lidar a partir de 2005. Enquanto Alto Comissário das Nações Unidas, António Guterres reconhece que sempre viveu o lado mais dramático dos conflitos armados e da instabilidade: o lado humano, tendo tido a seu cargo a maior vaga de refugiados e deslocados desde a II Guerra Mundial.

Talvez por isso se tenha destacado sempre por uma visão global e humanitária do complexo sistema internacional e por uma postura interventiva em prol da melhoria da situação dos refugiados no mundo. São conhecidas as suas intervenções públicas enfatizando o peso da relação entre fenómenos de alterações climáticas, pobreza extrema e conflitos violentos e as consequências destes em termos do aumento dos movimentos de deslocação forçada e em massa das populações um pouco por todo o mundo. São igualmente conhecidos os seus declarados compromissos com os principais beneficiários do trabalho do ACNUR, com a sua proteção e a procura de soluções duradouras para a reintegração sustentável dos milhões de refugiados e deslocados internos com que tem de lidar.

Por todas estas razões, e em reconhecimento do trabalho notável que levou a cabo ao longo do seu mandato, a Universidade de Coimbra, por proposta da Faculdade de Economia, irá atribuir o Doutoramento Honoris Causa a António Guterres.

Esta iniciativa será associada às comemorações dos 20 anos da Licenciatura em Relações Internacionais na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, que se celebra ao longo do ano letivo 2015-2016.

 

 

 

DIVERSOS PROJECTOS DO CPR SÃO FINANCIADOS PELO FUNDO ASILO, MIGRAÇÃO E INTEGRAÇÃO (FAMI)

 

De acordo com as últimas estatísticas, o número de migrantes forçados em todo o mundo ultrapassa os 65 milhões e não pára de aumentar. O número de pessoas que buscam protecão no nosso país é de cerca de 870 por ano ou 87 pessoas por cada milhão de habitantes, um número bastante inferior à média europeia (2600 pedidos por milhão de habitantes na UE-28, em 2015). Há mais de um quarto de século que o CPR, sempre em colaboração com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), procura minimizar as consequências das deslocações forçadas, em particular das pessoas acolhidas em Portugal.